Review: FIFA 11

19 10 2010

Kaká é um dos garotos-propaganda de FIFA 11. Foto: Divulgação

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

FIFA 11 está no mercado desde o começo do mês, e em pouco tempo já fez sucesso. Segundo informações do VGChartz, site especializado na cobertura do mercado de games, em duas semanas, o jogo da EA Sports ultrapassou a marca dos 3 milhões de unidades vendidas só observando as negociações para Xbox 360 (1,245 milhão) e Playstation 3 (1,915 milhão) no planeta. O game também, pela segunda vez seguida, fez “dobradinha” com suas versões para os dois consoles next-gen no ranking de mais vendidos da semana, com a produção de PS3 superando as 500 mil unidades negociadas e a de Xbox 360 alcançando quase 360 mil vendas.

Números significativos que confirmam o quão esperada era a edição 2011 da franquia, que pelo menos sob a ótica mercadológica, deve seguir à frente do rival Pro Evolution Soccer, da Konami. Basta dizer que, também presente nas últimas duas semanas no levantamento do VGChartz, PES ainda não alcançou o primeiro milhão de cópias vendidas. No levantamento referente à semana de 9 de outubro, a versão para PS3 da franquia ocupou o quarto posto (quase 254 mil unidades negociadas), enquanto a edição para o console da Microsoft teve cerca de 79 mil vendas. Ainda assim, são dados que estão dentro de uma normalidade.

O sucesso de mercado de FIFA, naturalmente, teria de ser correspondido “em campo”, por assim dizer. E as boas impressões deixadas pela DEMO, como já discutido nesta coluna, no último texto, realmente são alcançadas e até superadas na versão final do jogo. Pela versão de demonstração, foi aqui constatado que FIFA ainda estava alguns passos à frente que PES, mas que ainda era cedo demais para concluir aquele que, em seu conteúdo, poderia ser considerado o melhor dos games. O colunista ainda terá um melhor contato com a edição definitiva do jogo da Konami, mas adianta: a parada será novamente dura aos japoneses.

Algumas opções iniciais do jogo não fogem ao esperado: amistoso, liga, copa (que pode ser configurada como o jogador desejar, podendo até formar um campeonato envolvendo Manchester United, Real Madrid e… Darlington), modo manager e o já tradicional Be a Pro. Neste último, porém, já se mostra uma das grandes novidades de FIFA 11: agora pode-se ser o goleiro da equipe. Missão árdua e que necessitará de uma grande experiência com o game e conhecimento até mesmo do estilo de jogo e chute dos rivais para se ter sucesso. O modo, porém, não conta com a opção de ser o camisa 1 na versão para PC.

Com a bola rolando, a expectativa criada pela versão DEMO se confirma. A jogabilidade está bastante evoluída e a menor velocidade do jogo dá mais vazão à criatividade dos jogadores, especialmente quando se tem em mãos um time com atletas criativos e de boas qualidades nos passes. Jogabilidade evoluída, por sua vez, não significa que esteja mais fácil. Na verdade – e isso é positivo – ela se adequa bastante a quem está com a pelota, e exige muito mais cabeça de quem comanda o joystick do que antes. É uma das influências da ferramenta Personality+, novidade introduzida ao game.

Trata-se de uma “personalização” maior das características dos jogadores, tanto na forma que eles correm como na maneira que dominam a bola ou parte com ela na corrida. Aí, há uma aproximação mais clara do que os atletas fazem em campo dos níveis que possuem em seu repertório. Por exemplo: dois jogadores de um time australiano podem dar um passe como Kaká ou tentar driblar à lá Messi. No entanto, a diferença abissal de níveis entre eles fica exposta quando o drible deste último resulta em uma bola que quase vai para a lateral ou o passe do primeiro pula como pipoca. “Mas isso é obvio, não?”. Sim, mas não o era.

A mecânica também ganha pontos quando derruba a velha história de que jogadores rápidos são sempre decisivos. Neymar, por exemplo, é um dos atletas mais interessantes do jogo. No entanto, a menos que tenha pleno domínio dos comandos de drible, partir assim para cima de um adversário mais parrudo não será fácil. Isso porque a força e a explosão física foram valorizadas. Ou seja: Neymar é rápido, mas é fraco fisicamente. Se quem estiver no comando do zagueiro tiver um bom domínio do manete, o jogo de corpo com o atacante santista pode barrar qualquer tentativa do jogador usar sua velocidade.

Curioso notar também que a dificuldade apontada também na DEMO se confirma. A marcação rival é sempre forte e em cima, desde o campo de defesa. Não que isso não ocorresse já em versões anteriores, mas FIFA 11 desenvolveu melhor essa característica. E, de fato, é importante notar o quão evoluidos estão os goleiros, e como o controlador agora precisa ter maior domínio de como chutar. O “um-contra-um” está menos propenso a falhas, e os chutes cruzados, diferentemente do usual (principalmente em PES), não são mais garantia de bola na rede. Um jogo mais desafiador, portanto.

Visualmente, como já se comentara no texto passado, FIFA aprimorou os gráficos e detalhou melhor jogadores, estádios e gramado. Pode-se também fazer diferentes e inusitadas convocações para as seleções nacionais ou montar um esquadrão estrelar em um Bohemians da vida na seção de transferências. Porém, no modo edição, não há como modificar aparências de atletas já existentes ou mesmo dos estádios (somente o nome é possível). Há novos rostos, cabelos e expressões possíveis de serem encontradas, mas somente para o seu “Virtual Pro” (o jogador que pode comandar no Be a Pro).

O licenciamento, que um dia já foi um dos grandes pontos fortes da EA Sports, por sua vez, deixou a desejar em alguns pontos. Não se fala nem especificamente do Brasil, que embora tenha “recuperado” equipes como Grêmio, Santos e Corinthians, está, por exemplo, sem Internacional (I.Porto Alegre), Guarani (G.Campinas), Avaí (A.Florianopolis) ou Atlético-GO (A.Goiania). Este último, aliás, teve seu uniforme reproduzido de maneira equivocada, nas cores preta e branca, quando na verdade o Dragão é rubro-negro. Os jogadores, porém, estão todos presentes e bem editados pelos produtores.

Essa boa edição ajuda um pouco a tirar uma certa imagem de “patinho feio” dos clubes brasileiros na franquia. Afinal, historicamente – e nesta coluna isto já foi até abordado – os brasucas, por mais em alta que estivessem, competiam apenas com uma Acadêmica ou um Basel, por exemplo. A presença de jogadores com um nível menos baixo – em especial nas principais equipes – é interessante. Outro ponto curioso foi a reprodução mais fiel que o usual do visual dos atletas. Neymar (com direito ao já famoso moicano), Diego Tardelli, Arouca e Wellington Paulista são exemplos de jogadores de fácil identificação.

Não bastasse as falhas nesse quesito (licenciamento de clubes), pode-se considerar também que a EA Sports definitivamente abriu mão do futebol de seleções, pelo menos fora do período de Copa do Mundo. São cerca de 40 países disponíveis, mas nem todos estão bem reproduzidos. Aos que não estão, há até mesmo uma certa discrepância nas bandeiras. A do Brasil é um quadrado esquisito, enquanto outras são mais “normais”, retangulares. Há, claro, um percentual muito maior de times licenciados e ligas oficiais (duas divisões da Itália, quatro da Inglaterra, etc.), mas são pontos marcantes de FIFA que não deveriam ser esquecidos.

Não se pretende aqui dar nota, tal qual os reviews de revistas especializadas, ao jogo. Até porque é importante ter um contato mais amplo com PES 2011 para se traçar um parâmetro mais evidente. Porém, FIFA 11, em que pese essa manutenção da “má fase fifista nos licenciamentos”, o game como um todo mostra evoluções consideráveis em relação a FIFA 10. Consideráveis nem tanto por serem tão grandiosas, mas pelo impacto e a melhor experiência que proporcionaram. A versão DEMO deu uma letra boa do que se poderia esperar, e o resultado final é muito satisfatório. Sinal de que o cenário atual das lojas não deve mudar tão cedo. Aos fãs da bola virtual e mesmo aqueles adeptos de PES, vale mesmo a pena conhecer FIFA 11.

Tal qual, pelo que se viu na DEMO, aqueles fanáticos por FIFA também poderiam esquecer a rivalidade por alguns dias e arriscar uns lances no novo Pro Evo. Aliás, quanto ao game da Konami, para aqueles que forem adquirir a versão para PC, uma boa notícia: o preço oficial será de R$ 50,00. Valor bastante acessível inclusive se comparado ao pirata, que é cerca de R$ 15,00 e não conta com a própria confiabilidade de um jogo original.

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One response

22 10 2010
Felipe Lopes

Sabe se tais qualidades, principalmente de jogabilidade, se encontram na versão do PS2?

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