FIFA x PES: Teremos segundo turno

4 10 2010

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

As novas versões FIFA e Pro Evolution Soccer deixaram impressões bem positivas em suas DEMOs. Foto: Reprodução

Teremos segundo turno
Postado em 3/10/2010 às 12:11 por Lincoln Chaves

Já que estamos em clima de eleições, pode-se dizer que após uma análise inicial do que proporcionam FIFA 11 e Pro Evolution Soccer 2011 por intermédio de suas versões DEMO, teremos segundo turno na eterna eleição de “melhor game de futebol do momento”. Claro, não se pode tirar muitas conclusões a partir das opções que as demonstrações oficiais dos jogos deixam disponíveis para os jogadores. Até porque o foco maior destas é que o usuário possa ver melhor o que o espera no ato de jogar propriamente dito – leia-se jogabilidade, gráficos, etc.

No entanto, as DEMOs de ambos permitem um panorama inicial, e este é de que FIFA ainda se coloca um pouco à frente de PES, ainda que ambos tenham mostrado evoluções muito sensíveis e que o game da Konami tenha voltado de vez à bater de frente com o da EA Sports, diferentemente do que ocorrera nos últimos anos, quando, mesmo em evolução, a franquia japonesa ainda não havia “acertado a mão” na era next-gen. O segundo turno dessa eleição? Será mesmo conhecido nas próximas semanas, já que neste dia 5 PES 2011 chega oficialmente às lojas (FIFA 11 está no mercado desde o último dia 28).

Indo por partes, comecemos com a impressão visual. FIFA melhorou bastante o traçado dos jogadores e ampliou a gama aparências reproduzidas – ou seja, aquelas que são moldadas às características de determinados atletas, e que acabam sendo uma base para a formação dos demais. Os estádios também ganharam mais detalhes, bem como as torcidas, que não só estão melhor desenhadas como mais “animadas”. O redor do campo foi aprimorado e movimentado, aumentando a sensação de “presença” no jogo. PES também mostrou considerável evolução no campo visual tal qual FIFA, mas na visão deste colunista, poderia ter mais “vida” nos arredores do campo.

Sob a perspectiva da dificuldade, pode-se dizer que há um empate técnico, talvez pendendo um pouco, novamente, ao jogo da EA Sports. Em ambos, a marcação e a inteligência artificial foram aprimoradas. Até os goleiros de FIFA, sempre criticados por suas “mãos-de-alface”, estão mais exigentes e espertos. Em PES, por sua vez, a primeira impressão é a de que a Konami teve sucesso em corrigir as saídas bizonhas que alguns defensores faziam, por vezes facilitando contra-ataques. Ainda é difícil afirmar se os japoneses “maneiraram” com a abertura para jogadas “manjadas”, como o avanço pelas pontas e o chute cruzado, mas é notório que PES ganhou um tom mais desafiador.

Já a jogabilidade é um capítulo a parte, e embora, como em anos anteriores, PES tenha-a como mais fácil e controlável, FIFA deu um passo bastante consistente em sua mecânica. O game da Konami está bastante “manipulável”, com controles leves e que permitem a quem está no comando mudar o movimento do jogador com maior precisão. O contato com os botões está mais sensível e determinante. Ou seja: não bastará apenas apertar o botão do passe, mas o jogador deverá controlar a intensidade do toque e apontar a direção. Algo que fatalmente exigirá mais habilidade de quem está com o joystick na mão, e aprimora a já famosa jogabilidade da franquia.

FIFA, por sua vez, conseguiu dar para sua versão 2011 uma mecânica diferenciada, quebrando paradigmas de ser um game por vezes mais “duro”, “rígido”, que PES. Além disso, o jogo ganhou uma cadência maior, sem aquela velocidade às vezes até sufocante, e se tornou mais palpável até mesmo para aqueles mais adeptos do PES, que ainda tentam criar coragem para se aventurar no game da EA Sports. Com isso, tornou-se mais possível o usuário tramar alguma jogada diferente, especialmente quando conta com um Lampard ou um Essien na equipe. Diferente de antes, quando por vezes os jogadores precisavam ser mais rápidos do que efetivamente habilidosos com o joystick.

Pelo conjunto da obra, FIFA ainda fica alguns passos à frente. Segue superado na jogabilidade por PES, mas evoluiu-a de forma bem significativa e mostra ter tornado a experiência de jogo não só mais realística, mas “gostosa”, leve. Quanto a outros aspectos, conta com uma melhor ambientação da partida, no tocante ao clima e às animações extra campo, por exemplo. Registrou também gráficos sensivelmente mais detalhados. Por sua vez, o game da Konami evoluiu muito em todos os aspectos, visivelmente em sua inteligência artificial, na movimentação dos jogadores e em seu visual.

No entanto, PES está ainda com muito de suas cartas na manga escondidas. Na DEMO, por exemplo, podia-se jogar somente um amistoso entre Barcelona e Bayern Munique, e outro, já válido para o modo Libertadores, entre Internacional e Chivas Guadalajara. E após as partidas, era lançado um longo vídeo com as inovações do game, destacando-se um desenvolvimento enorme do modo de edição, com a possibilidade do jogador mexer de formas até extravagantes no estádio e no céu. Serão introduzidas também novas (e estranhas) faces para os jogadores, como uma cabeça de abóbora e um capacete medieval. Haverá até a possibilidade de se jogar com uma espécie de bola de meia.

A incógnita que reserva o extra-game de PES é o que torna ainda impossível determinar se FIFA seguirá à frente ou se perderá a batalha de 2011 pelo topo. É provável até que, pelo apresentado no ambiente de jogo propriamente dito, siga à frente. Mas é notório que a Konami tem voltado a acertar a mão com Pro Evolution, ressuscitando uma rivalidade que desde o início da era next-gen parecia uma balança que pendia por demais para um dos lados. O equilíbrio e a busca por novidades maiores, em ambos os lados, é o sinal disso, e quem ganha somos nós, jogadores e fãs do futebol, no campo e virtual.

Anúncios




Primeira impressão: PES 2011

2 10 2010

Veron contra Ronaldo é um dos duelos que PES 2011 proporcionará a partir de 5 de outubro. Foto: Divulgação

A franquia Pro Evolution Soccer perdeu grande espaço para FIFA com a chegada dos consoles next-gen. Tudo bem, trata-se de que já foi comentado e falado, e muito porque houve uma certa “inércia”, uma dificuldade em se detectar o que vinha dando errado até mais ou menos 2008. De 2009 em diante, o cenário começou a melhorar. Em 2010, a Konami começou a ouvir mais atentamente a seus jogadores mais assíduos e tentar entender melhor como e onde mexer. Eis que para 2011, após mais uma série de análises, reflexões e opiniões de fanáticos pela série, a sensação que fica após se jogar a versão DEMO de PES é de que os japoneses enfim estão voltando a acertar o caminho, e pelo menos nesse primeiro contato, demonstram ter conseguido uma evolução bastante considerável em relação a PES 2010. E talvez o principal: sem perder a linha aquele já conhecido aspecto da diversão, tão constante na franquia.

A DEMO não proporciona muitas opções de jogo, o que até é natural. Basicamente, o jogador pode fazer um amistoso entre Barcelona e Bayern Munique ou estrear a famigerada e aguardada Copa Libertadores, comandando o Internacional ou o Chivas Guadalajara. E logo de cara, os gráficos já chamam atenção por estarem bem mais detalhados que na edição anterior do game. As expressões dos jogadores foram melhor trabalhadas e uma variedade maior de atletas – isso é visível – foi observada para que se pudessem ser traçadas as novas faces. Nomes como Messi, Iniesta ou Ibrahimovic estão realmente fiéis, e mesmo aqueles que não foram efetivamente reproduzidos ganharam combinações que se aproximam muito do que realmente são. Sentiu-se falta, talvez, de uma maior gama de detalhes fora das quatro linhas – tal qual no PES 2010 -, por vezes dando uma sensação de que o jogo está distante das arquibancadas. Talvez uma “animação” maior às torcidas fosse uma boa. Por sua vez, a movimentação dos jogadores ganhou a prometida variação – que faltou em 2010 -, com dribles próprios de determinados atletas.

Cheguemos então à jogabilidade, maior carro-chefe de Pro Evo. E esta está muito evoluída, dando grande controle ao usuário. Os controles estão mais leves, permitindo maior domínio do jogador e facilitando, portanto, a ação de dribles e jogadas de mais efeito, algo que já era um ponto de destaque antigo em PES. Por sua vez, a inteligência artificial parece bem melhorada, apertando bastante a marcação – por vezes com pelo menos dois defensores em cima do atacante que mantém a posse de bola. O que parece natural, já que as condições de controle se colocam como mais propícias aos jogadores. Essa busca em dar ainda mais “poder” a quem está com o joystick na mão trouxe efeitos também na potência e na direção de chutes ou passes. A bola não segue órbitas exageradas como historicamente em FIFA, mas pode fazê-lo caso o jogador não controle a força com a qual fará um lançamento ou mesmo um passe em profundidade. É algo positivo, e que demandará mais habilidade do controlador, já que no primeiro momento, os toques iniciais isolarão algumas bolas.

Prova disso é que, na partida amistosa jogada pelo blogueiro, em vários momentos, craques como Iniesta e Xavi pecaram em lances mais plásticos. Tanto pela maior inteligência na cobertura de espaços como pela já explicada necessidade de se captar o “toque ideal” para o passe, o lançamento ou mesmo o chute. A IA também foi ampliada nos goleiros, mais espertos nas saídas de bola. Nesse primeiro momento, não foi possível ainda afirmar se as históricas jogadas “manjadas” de PES foram revistas. Particularmente, as principais ações do Barcelona comandado por este que vos escreve saíram pelas pontas – assim como o gol de Messi. Ainda assim, acredita-se que a versão final, com lançamento previsto para 5 de outubro de 2010, poderá ser mais conclusiva sobre essa ótica. E tendo em vistas as melhoras gerais que a Konami conseguiu incluir – e as que ainda não foram disponíveis, como o evoluído modo de edição (que tal montar o estádio e o clima à sua moda, ou fazer um time com um atacante cabeça-de-abóbora?), as perspectivas são positivas.

Em suma: Nesse primeiro momento, ainda é difícil concluir se FIFA ou PES saem como os grandes vencedores. Primeiro, porque, como insistentemente já se comentou, ambos têm um modus operanti diferente, ainda que busquem um mesmo objetivo – conquistar o público fã do futebol virtual. Segundo, pelo fato de poderem ser feitas duas análises: qual o game que é o melhor em seu todo e qual aquele que apresentou as melhoras mais sensíveis de suas edições 2010 para 2011. Pelas versões DEMO, o conjunto da obra de FIFA soa ainda estar um passo à frente, mas não com a mesma intensidade de outrora. Porém, está claro que a Konami deixou várias de suas armas fora da versão-demonstração, inclusive a Libertadores. De qualquer forma, fica claro que com a volta da boa e velha rivalidade da dupla – que parece estar retornando após dois períodos de inércia, tanto de FIFA no fim da era PS2, como de PES no princípio da geração nex-gen, quem sai ganhando são os gamers (por mais clichê que essa frase final possa ser).

Na coluna deste domingo, dia 3, na Trivela – e que será republicada aqui no EC8Bit no dia seguinte -, será feito um apanhado geral das duas DEMOs.





The Chaaaaampions…

24 09 2010

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

Games exclusivos da Liga dos Campeões nunca estouraram, mas série se mantém firme atualmente dentro do PES. Foto: Reprodução

The Chaaaaampions…
Postado em 19/9/2010 às 9:12 por Lincoln Chaves

“Die Meister, Die Besten, Les grandes équipes, The chaaaaaampions”. Não há um fanático por futebol que se preze que não sinta ao menos um leve arrepio ao ouvir o cântico, talvez, mais tradicional do desporto bretão, que encabeça a Liga dos Campeões da UEFA. Torneio esse que, tanto por sua representatividade como pela lógica necessidade da indústria de games em buscar aproximar o público da experiência mais “real” possível, não poderia ficar de fora do universo dos jogos eletrônicos.

Curiosamente, a Champions League demorou a emplacar – e ainda hoje é difícil afirmar que ela, sozinha, emplacou – no mundo virtual. Isso porque jogos anteriores referentes exclusivamente à Liga não tinham uma certa regularidade no mercado. Algo curioso, já que se por um lado trata-se de um título especificamente referente a uma competição, por outro os games de Copa do Mundo sempre ganhavam destaque e traziam bons retornos à EA Sports.

Oficialmente, a LC foi licenciada para quatro produtoras. A primeira delas foi a Krisalis, que já possuía uma considerável experiência em games de futebol (European Club Soccer, FA Premier League Football Manager e SoccerKid) que em 1996 lançou o primeiro jogo oficial do torneio europeu: UEFA Champions League 1996/97, para MS-DOS. O game contava com os 16 times que disputaram o torneio, reproduções dos estádios oficiais e mais 32 seleções.

Os gráficos em 3D eram até interessantes para a época, tendo em vista o claro processo de evolução dessa tecnologia na ocasião, mas chamava atenção a reprodução dos estádios, inclusive com as devidas propagandas ao redor do campo, e a tentativa de deixar o uniforme das equipes minimamente semelhante aos do período. Os jogadores se assemelhavam aos de FIFA – não eram muito grandes -, e a mecânica não era das mais rebuscadas, com os controles básicos e uma resposta aceitável.

A Krisalis até ganhou força para produzir uma continuação (UCL 1997/98), mas promoveu pouquíssimas mudanças no game. E para a temporada 1998/99, a UEFA resolveu mudar de produtora, partindo para a Silicon Dreams, outra empresa com tradição em games de esportes – foi dela, por exemplo, o Sega Worldwide Soccer, jogo que já foi discorrido nesta coluna, ainda que também tenha feito bombas como o esquisito Olympic Soccer, referente aos Jogos de Atlanta, em 1996.

A SC produziu os jogos da UCL até a edição 2001/02, com três edições lançadas para PC, duas para Playstation e uma para Playstation 2. As duas primeiras tiveram como publisher a já famosa Eidos Interactive (a mesma de Championship Manager), enquanto as últimas contaram com o “dedo” da Take-Two Interactive (a mesma que tentou comprar a Electronic Arts há alguns anos e produziu GTA). Todos, no entanto, foram lançados essencialmente ao mercado europeu.

De todas, a última versão (2001/02) foi a que acabou ganhando mais destaque, principalmente por contar não somente com os 32 times que alcançaram a fase de grupos, mas por possuir mais 46 equipes históricas e campeãs do torneio. Tudo bem, não era nada de outro mundo, já que FIFA 2000 já resgatava alguns clubes antigos (o Santos de Pelé, por exemplo) e permitia o embate com outros. Mas nunca é nada mal colocar, por exemplo, o Benfica de Eusébio contra o Real de Raul, não é?

Curiosamente, após a boa edição 2001/02, um game da Liga dos Campeões só voltaria a ser produzido na temporada 2004/05. A ausência se explica pela aquisição, por parte da Electronic Arts, dos direitos junto à UEFA, em 2002. Como a produção de um game da competição ainda não estava nos planos da EA, a principal competição de clubes do planeta acabou se ausentando dos games, ainda que, no fundo, esta ausência “oficial” não fosse muito sentida.

“Como não?”, podem perguntar alguns. É que se no passado o comum era mesmo reunir as seleções do mundo, devido às dificuldades em se licenciar clubes, o cenário mudou nesta década, e equipes principalmente européias passaram a ser encontradas com alguma regularidade em jogos de futebol, cada vez mais adeptos ao confronto entre equipes. E se a Liga dos Campeões não existia “oficialmente”, era acabava surgindo com nomes aleatórios (e aí, vale uma referência ao FIFA 99, onde a hoje Liga Europa era chamada – inclusive pelos narradores – de Troféu EFA. Bizarro, não?)

Mas o hino da Champions voltou a ser lembrado nos games em 2004, com o lançamento de UEFA Champions League 2004/05. No fundo, era um FIFA 05 com uma carroceria nova, mas que para a história da franquia, já significava muita coisa. O jogo não contava somente com equipes presentes na LC, mas também tinha times licenciados das principais ligas européias. Chamou atenção também os cenários que iam sendo abertos à medida que o jogador conquistasse determinados objetivos (títulos, vitórias por determinada diferença, etc.). Havia até uma espécie de modo “futebol de praia”.

A EA seguiu com as produções na temporada 2006/07, quando lançou o último game sob sua responsabilidade – e o último lançado exclusivamente sobre a competição. Mais uma vez, destaque para as missões in-game que devem ser cumpridas para que se obtenham pontos que podem ser trocados, no game, por jogadores (para que se forme um verdadeiro esquadrão), bolas, uniformes, etc. Notadamente, uma busca da Electronic Arts de tentar diferenciar, ao menos um pouco, o jogo do FIFA 07, real “carcaça” do jogo.

Em 2008, porém, a UEFA mudou radicalmente de universo nos games: trocou a EA pela Konami, que desde a edição 2009 de Pro Evolution Soccer, conta com a Liga dos Campeões licenciada oficialmente dentro do jogo. Por um lado, pode-se até questionar a decisão de se encaixar a competição como uma no meio de outras tantas (ainda que esteja como o principal carro-chefe do game) e sem inovações tão badaladas em seu formato.

Por outro, todavia, uma breve leitura em fóruns especializados mostra que a receptividade da UCL no PES foi bastante boa, tanto que na edição 2010 do game da Konami, até mesmo a Liga Europa foi licenciada. Além disso, nota-se que houve a percepção de que competição com rivais de mercado já altamente consagrados como PES e FIFA (que, naturalmente, é a menina dos olhos da EA quando o assunto é futebol) era algo realmente complicado.

E é aquela história: se não pode vencê-los, junte-se a eles. Como a EA já estava com a FIFA, no fundo não estranhou a Konami assumir a Liga dos Campeões, especialmente pela incessante busca da companhia japonesa em tentar recuperar força no mercado europeu. Resta saber se a própria Eurocopa, que desde 2000 tem games encabeçados pela EA Sports, também passará para a Konami, ou se a experiência da EA nesse ramo ainda será levada em consideração.





Locução virtual

13 09 2010

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

John Motson foi um dos marcos na narração de games de futebol, atuando por aproximadamente 10 anos nas séries FIFA e World Cup, da EA Sports. Foto: Divulgação

Locução virtual
Postado em 5/9/2010 às 12:33 por Lincoln Chaves

Dando uma breve interrompida na série de textos e entrevistas sobre a presença brasileira no Pro Evolution Soccer 2011, a coluna vem retomar nesta semana um dos mais curiosos e marcantes atrativos dos games de futebol. Às vezes, de fato, este atrativo não é dos mais bem desenvolvidos e motiva os jogadores a colocarem a televisão no mudo. Mas quando bem feita – algo que é cada vez mais desenvolvido e aprimorado pelas equipes técnicas responsáveis pela produção dos games -, a narração chega a ser tão memorável – até mais – quanto o jogo propriamente dito.

Claramente foi-se o tempo que considerava-se narração o mero pronunciar de palavras como “Goal Kick”, “Throw In”, ou mesmo o “Goal”. Hoje esse processo evoluiu de tal forma que para vários jogadores já há até um texto específico lido pelo narrador virtual, exaltando alguma de suas qualidades. Claro, não passam de gravações pré-estabelecidas e que não irão muito além do que já falam. Porém, não deixam de, aprimoradas ano a ano, inserir cada vez mais o clima do jogo na experiência de que está com as mãos no joystick.

A inserção de narrações em games de futebol – entendendo narração com uma informação sonora – veio mesmo na década de 90. Até então, as opções de som nos jogos futebolísticos eram mesmo os gritos (?) das torcidas, o contato da bola com o pé do jogador (inicialmente “estático”, ganhando depois contornos reais de um toque) ou o apito do juiz. Em alguns casos, havia até a preferência por uma musiquinha de fundo. O máximo que poderia se ouvir gritar era um “Goal”. Nada além disso. Falamos aqui, porém, ainda de 1992.

As primeiras evidências mais marcantes de narrações surgiram em 1995, no histórico International SuperStar Soccer Deluxe. Além dos gritos de gol, falta e punições (“Yellow Card!”) – que já eram um avanço considerável presenciados na versão anterior do jogo – International SuperStar Soccer -, surgiram os destaques sonoros para chutes de longa distância, lançamentos (“Long shot!”), e o arremate propriamente dito (“He shoots!”). Mesmo as entradas mais violentas ganharam uma pergunta indignada do narrador: “No fault?”.

E aí, vale uma “menção honrosa” àquela que é, pelo menos para os brasileiros, uma das mais recordadas narrações é, inquestionavelmente, a de uma das versões “não-oficiais”, por assim dizer, de ISS Deluxe: o famoso “Campeonato Brasileiro 96”, com as equipes do Brasileirão de 1995 e frases como “Grande jugada!”, “Chutou, que lindo!” e o que até hoje é traduzido como “Viva Senna”. Há quem considere que foi efetivamente a primeira vez que as narrações – talvez por estas serem em um portunhol dos mais estranhos, mas engraçados – ganharam maior atenção por aqui.

Se a evolução motivou a rival da Konami, a Electronic Arts, a se mexer, não é algo comprovado. Mas o fato é que para FIFA 96, primeiro da franquia lançado após ISS Deluxe, já se programou um aprimoramento bastante interessante no que se entendia por narração. Era aquela a primeira participação do famoso narrador inglês John Motson na série onde permaneceria até a edição 2006 do game, estando também nos jogos oficiais da Copa do Mundo lançados pela EA Sports, “estreando” em Mundiais em World Cup 98.

A entrada de John Motson foi um marco importante no que diz respeito à narração nos games de futebol. Primeiro porque estava lá um nome que já era referência no segmento. Segundo, pelo fato de ser um dos principais atos no sentido de aproximar o game do futebol “real” – e nada melhor, portanto, do que um narrador – acompanhado do comentarista Andy Gray – “original” para dar um toque ainda maior de simulação esportiva na brincadeira. Além disso, comentários pós-lances de chute ou mesmo entradas violentas, e a citação dos nomes dos jogadores passaram a ser comuns.

John Kabira, o "mito" da voz no PES. Foto: Divulgação

Mas a Konami não parou no tempo e se os ocidentais vinham com Motson, os japoneses apresentavam ao público mundial o também famoso Jon Kabira, outro proveniente da mídia nipônica, e até hoje é responsável pela narração da versão oriental do game. E a cada jogo, Kabira adicionava novos termos aos seus curiosos gemidos quando o atacante invadia a área rival com facilidade, ou o já tradicional “Shuuto!”, antes dos chutes. Há fãs de Pro Evolution Soccer que até hoje preferem ter os jogos narrados pelo japonês, pela ligação até afetiva com versões antigas.

O sucesso que as narrações ganharam no Brasil aos poucos fizeram com que profissionais daqui começassem a ser convidados para participar dos jogos. Milton Leite, da SporTV, deu o pontapé inicial em FIFA 99 para PC. Aliás, desde então, a série sempre contara com narradores brasileiros (na versão para computador). No FIFA 10, Nivaldo Prieto, da Bandeirantes, fez dupla com Paulo Vinícius Coelho, o PVC, da ESPN Brasil. Mais: na edição 2009, os áudios em português foram conteúdos adicionais gratuitos para PS3 e Xbox 360 via download em suas redes online.

Desde 2010, por sua vez, Pro Evolution Soccer e a Konami já dava sinais de que poderia vir com alguma novidade neste sentido, logo, logo. Na ocasião, o game contou com a primeira narração “oficial” em português (não, as versões de Andre Henning e Galvão Bueno, embora tenham ficado famosas, não eram oficiais), por intermédio do locutor Pedro Sousa e do ex-jogador e comentarista João Vieira Pinto, ambos portugueses (o jogo também é popular por lá). No Brasil, a aceitação encontrou alguma resistência, considerando que a dupla “não passava emoção” à partida.

E justamente no ano que a EA Sports, considerando que o retorno financeiro dos games para computador, principalmente em virtude da pirataria, não valia um novo investimento nesse sentido, PES virá pela primeira vez com narradores brasileiros: Sílvio Luiz e Mauro Beting. Em entrevistas recentes, os dois confirmaram que as gravações foram feitas há quatro meses e terão alguns de seus bordões mais conhecidos. Será que teremos um “pelo amor dos meus filhinhos!” após um incrível gol perdido? Mais uma novidade que, aliada à presença da Libertadores, aumenta ainda mais as expectativas, no Brasil para PES 2011.

———————————————————————————-
Que tal relembrar um pouco desses históricos narradores?

John Kabira (Konami) – narração “especial” no PES 2009

John Motson (EA Sports) – vídeo “musical” com trechos de narrações do inglês





Brasil no PES 2011: Internacional

24 08 2010

Postado originalmente em Trivela.com.br

Brasil no PES 2011 – Internacional
Postado em 22/8/2010 às 11:20 por Lincoln Chaves

Internacional ganhará companhia de Corinthians, Flamengo, São Paulo e Cruzeiro no PES 2011. Foto: Reprodução/Internacional.com.br

A presença de clubes brasileiros nos games futebolísticos de Konami e Eletronic Arts nunca foi das mais destacáveis, como inclusive já se mostrou nesta coluna. Do lado da empresa japonesa, raras foram as vezes que times do país foram lembrados (Palmeiras, Vasco e São Paulo foram essas raridades, mas sem efetivamente serem licenciados), só a partir de 2008 é que o Brasil ganhou um representante (sim, apenas um) mais ativo na franquia. A EA Sports até mantém, há tempos, a liga brasileira, mas sem maiores destaques – basta lembrar das imperfeições em jogadores e equipes especialmente nas primeiras versões, ou do pífio Brasileirão do FIFA 99, com apenas oito times.

No Brasil, percebe-se, essa realidade acabou fazendo bastante falta. Notadamente, o game de futebol mais popular do País é o Pro Evolution Soccer. Levantamento da NC Games, principal distribuidora brasileira, colocou a edição 2010 do game – lançada nos últimos meses do ano – como a campeã de vendas em 2009 no Brasil, seguida justamente da versão 2009 de PES. E os índices poderiam até ser mais significativos, não fosse a sabida pirataria, que leva muitos jogadores a adquirirem não o Pro Evolution usual, mas o Pro Evolution “Campeonato Paulista”, ou “Campeonato Brasileiro”. Versões inexistentes, mas que deixam claro: o público brasileiro gostaria muito de ver clubes daqui licenciados na franquia que mais vende por aqui.

Assim, PES 2011 com a presença da Copa Libertadores da América acaba surgindo como o que pode ser um marco para uma participação mais ativa do futebol brasileiro em um dos gêneros de games mais populares no País. Afinal, nada menos que os cinco participantes brasileiros na principal competição sul-americana estarão devidamente licenciados no jogo. Por isso, a coluna vai, nesta e nas próximas semanas, buscar conversar com representantes dos departamentos de franquias e/ou marketing dos clubes para ouvir deles como se deu o processo de licenciamento, quais as pretensões, o que se esperar sob a ótica do retorno de marketing e o combate à pirataria.

Para começar, nada mais justo do que o Internacional, pioneiro nos licenciamentos para a franquia, estando em PES desde a edição 2008 (lançada em 2007, um ano após o Colorado sagrar-se campeão do mundo). E se até PES 2010 era, teoricamente, “mais um” dos clubes presentes na seção “Outras Ligas”, entra na edição 2011 como uma das grandes potências da Libertadores, “bombeado” pelo bicampeonato conquistado na quarta-feira, contra o Chivas.

O colunista conversou, por e-mail, com o gerente de Marcas e Franquias do Inter, Rafael Saling. Em respostas sucintas, mas interessantes, Sailing destacou o pioneirismo do time do Beira Rio na franquia, esclareceu a ausência “oficial” do clube no FIFA e deixou no ar a possibilidade de o estádio colorado surgir em uma versão futura do game. Confiram:

Como se deu a primeira participação do Internacional na franquia PES? De quem partiu a procura (se da Konami ou do próprio Inter), o que motivou essa procura e como se deu o processo de licenciamento do clube e dos jogadores?

Após a conquista do Mundial de Clubes de 2006, a Konami procurou o Sport Club Internacional com o intuito de convidá-lo a participar do PES. O Inter possui o direito à utilização de imagem dos seus jogadores, e através disto entramos em negociação e desenvolvemos o produto (layout das camisetas, jogadores, etc.).

A ligação do Inter com a franquia se manteve desde então, permanecendo até hoje. O que motivou a continuidade da participação colorada no game?

Do lado da Konami, pela sequencia de conquistas do Inter desde 2006, tornando-se o “Campeão de Tudo”. E do lado do Inter, pela exposição da marca em nível mundial e também por ser o game mais jogado do mundo. (NR.: Na verdade, PES ainda está atrás de FIFA nas vendagens mundiais, mas lidera no Brasil).

Do primeiro licenciamento em diante, houve mudanças no que diz respeito ao próprio formato do licenciamento? Pergunto baseado até na própria melhora visual e até técnica do time simulado no game.

Com certeza, passou-se a cada vez mais valorizar os detalhes do uniforme, os traços dos jogadores e também todos os cenários do game.

O clube, de alguma forma, trabalha o Pro Evolution como um de seus produtos licenciados em suas lojas, ou o divulga em ações de marketing? Por quê?

Sim, divulga nas ações de marketing que promove usualmente, pois durante um tempo foi único clube brasileiros a estar no Pro Evolution, e isso, para nós, era motivo de vanguarda.

De lá para cá, qual foi o retorno que o Internacional teve, tanto no referente à exposição da marca fora do Brasil como no retorno financeiro por aqui, até tendo em vista o conhecido rival que é a pirataria dos games?

No que diz respeito ao retorno financeiro versus a exposição mundial da marca do clube, julgamos (o retorno) muito satisfatório. Mas isso tendo em vista que o Inter era o único clube brasileiro a estar no Pro Evolution. Acerca da pirataria, acreditamos que isso cabe a indústria (de games) combater, com instrumentos legais e tecnológicos, em virtude de ser um produto único, num segmento específico. A exposição da marca Inter não chega a estar em primeiro plano, mas de qualquer forma, o retorno que temos com o nosso licenciado é muito satisfatório.

O Internacional não é um dos clubes licenciados no FIFA há um tempo. O que levou a equipe a optar pela franquia Pro Evolution e ser reproduzida somente como “I.Porto Alegre” no game da Eletronic Arts?

Primeiro pelo Inter ser o único clube brasileiro a estar no Pro Evolution e este ser o game mais jogado no mundo, e segundo pelas negociações com o game da FIFA, que ficaram muito abaixo das negociações com o Pro Evolution.

A chegada da Libertadores ao PES 2011 tende a impactar, de alguma forma, ainda mais as expectativas de exposição de marca do Inter? Vale lembrar que no vídeo de apresentação do PES 2011, na principal feira de games do ocidente, a E3, Internacional e Corinthians foram os primeiros times a surgir na tela, anunciando a Libertadores no game…

Isso justifica o momento dos clubes brasileiros que está bom, com mudanças significativas do jeito de pensar o negócio futebol, ganhando credibilidade, e também o retorno que há em se estar neste game fantástico.

Pelos resultados vistos, acredita que a mídia videogame já é uma ferramenta interessante a ser mais bem observada pelos clubes brasileiros? E essa presença oficial da Libertadores, que, espera-se, deve ser mantida para os próximos anos, pode aproximar os clubes dos benefícios de participar dessa indústria?

Com certeza. Os clubes que estiverem em evidência vão destacar suas marcas no cenário mundial e estarão junto nos games mais jogados do mundo. Para isso, necessitam de performance em campo, com vitórias e participação em grandes competições.

Um dos grandes empecilhos para a aquisição de produtos originais, em todos os segmentos e em especial nos games, é a pirataria. O que o clube faz para “concorrer” com essa complicada indústria da pirataria?

O Inter possui uma parceria com um escritório especializado de combate à pirataria. Além deste escritório, o clube investe em campanhas de conscientização para inibir a compra de produtos piratas. Estimamos hoje que cerca de 25% da receita anual de licenciamentos do Clube está nas mãos dos produtos piratas. Esta realidade já foi pior.

Há hoje em voga um projeto que visa a redução dos impostos para games, o Jogo Justo (www.jogojusto.com.br). Não sei se já havia tomado conhecimento deste, mas acredita que os clubes brasileiros, apoiando o projeto, tendo até em vista o poder mobilizador do futebol e o próprio mercado de consumidores de games do gênero no Brasil, poderiam ser diferenciais?

Sem dúvida, assim como outros segmentos de consumo que são muito visados por produtos piratas, temos que tentar de alguma forma inibir a proliferação destes produtos. Com a redução de impostos, com certeza este e outros setores terão uma impulsão nas suas vendas. Prova disso foi a redução do IPI para automóveis e produtos industrializados (eletrodomésticos) que pudemos observar.

Para finalizar, houve uma especulação de que em próximas versões, o Beira Rio seria um dos estádios licenciados. Houve realmente essa discussão?

É possível, mas isso poderá ser uma surpresa para as próximas versões!





PES 2011: Los grandes equipos

26 07 2010

Como prometido no tópico anterior, segue a coluna publicada no último domingo (25) na Trivela. O tema é a já comentada chegada da Copa Libertadores ao Pro Evolution Soccer 2011, e desejou-se abordar os impactos que esta vinda podem trazer, tanto no que diz respeito à continuidade do torneio na franquia, como às possibilidades para que os clubes brasileiros entrem de vez no universo dos games futebolísticos, inclusive com o incentivo ao consumo dos jogos originais.

Claro que para que essa possibilidade cresça, são necessários alguns projetos “extracampo”, por assim dizer. Caso do Jogo Justo, do administrador e “fanático” por games Moacyr Alves Júnior. O blogueiro está em contato com o responsável pelo Jogo Justo para realizar uma entrevista, abordando o projeto como um todo e, naturalmente, “puxando a sardinha” para o mote desportivo-virtual desde blog. Os pontos mais relevantes, inclusive, serão tema de mais uma coluna na Trivela. E a entrevista será publicada na íntegra aqui no Esporte Clube 8-Bit.

Olha só quem está chegando ao PES... Foto: Reprodução

Los grandes equipos… 
Postado em 25/7/2010 às 10:54 por Lincoln Chaves

Libertadores é uma das opções no jogoA Electronic Entertainment Expo (E3) é o maior evento de games do Ocidente. Realizada anualmente nos Estados Unidos, proporciona aos profissionais da área aquele que será o primeiro contato com alguns dos principais lançamentos, não só dos jogos em si, mas das novas tecnologias para os consoles. Dessa vez, por exemplo, a mais badalada inovação partiu da Microsoft, com seu Kinetic, antes nomeado de “Project Natal”, seguindo, em partes, a linha do Nintendo Wii em não utilizar os joysticks como conhecemos, mas com um diferencial: dessa vez, bastarão movimentos com a mão, captados por sensores, e até comandos de voz.

Mas o que realmente interessa, pelo menos nesta coluna, é o futebol. E os fãs do desporto bretão, principalmente os sul-americanos, têm o que comemorar. Na apresentação do trailer de Pro Evolution Soccer 2011, da Konami, surpresa após 1‘50‘’ de vídeo, quando a desejada taça da Copa Libertadores da América surge na tela. Sim, pela primeira vez, a competição será oficialmente licenciada em um game. E dos 30 licenciados que se tem notícia até o momento, quatro dos cinco brasileiros – Corinthians, Cruzeiro, Internacional (esses três apareceram inclusive no trailer) e Flamengo. Ainda não há confirmação de uma participação oficial do São Paulo.

É fato que na segunda versão de Adidas Power Soccer, havia uma “espécie” de Libertadores, contando até com Grêmio e Cruzeiro, mas bastante mal produzida. Também é verdade que, com a valorização quase que única – e com algumas razões – da Liga dos Campeões e dos clubes europeus, surgiram diversos PES pirateados e modificados, com as equipes da competição sul-americana substituindo times menos expressivos e com os uniformes impecavelmente idênticos aos originais. Tudo isso, porém, não reduz o que pode representar a chegada da Konami de vez ao mercado da América do Sul.

É importante lembrar, por exemplo, que a representatividade do consumo brasileiro – e do continente como um todo – de games aos olhos da indústria internacional é ínfima, devido à prioridade dada aos jogos piratas de R$ 15,00, que acabam mais acessíveis que os originais de R$ 150,00. Ponderar também que o grande público de games futebolístico é mesmo o europeu, não apenas pelo poderio financeiro dos compradores, mas até pelos clubes que lá estão. Dessa forma, é possível questionar: o que a Konami quer por essas bandas, e o principal: como aproveitar isso?

Sabe-se que mesmo longe do impacto da Liga dos Campeões, a Libertadores possui credibilidade internacional. É alvo de transmissões televisivas em 135 países (inclusive Europa) e possui grande apelo na América Latina como um todo. Números de 2008, comparados a quatro anos anteriores, mostraram um crescimento em 350% na venda dos direitos de transmissão do torneio. O advento do México, que mesmo não sendo sul-americano, trouxe mais força do ponto de vista clubístico e financeiro, ampliou a audiência – e aí vale um comentário referente à indústria de games, já que a mais forte do continente americano, excetuando-se Estados Unidos e Canadá, é justamente o México.

À bem da verdade, não se acredita, especialmente após a FIFA passar a organizar um Mundial de Clubes envolvendo todas as suas confederações, que a Libertadores ficaria de fora por muito tempo de ser lembrada em um game. Pode-se dizer até que chegou antes do esperado, já que, como dito, o mercado de compradores de jogos na América Latina ainda é muito incipiente se comparado ao europeu. No Brasil, por exemplo, a Sony ainda não se estabeleceu totalmente, e mesmo com o Xbox 360 sendo produzido aqui, ainda se trata de um console caro. Até por isso, o momento não pode passar despercebido.

Corinthians e Internacional serão algumas das atrações de PES 2011. Foto: Reprodução

Oportunidade

Seria utópico imaginar que a vinda da Libertadores para os games, de forma oficial, pode ser benéfica para a própria indústria brasileira, e até para os clubes? Talvez, mas o cenário é interessante, especialmente em um momento que o marketing é tão badalado na estrutura das equipes do país. Usar os games como ferramenta de exposição de marca e de conceito não é novidade, como a coluna já mostrou com o Bola Social Soccer, desenvolvido para as redes sociais Orkut e Facebook. Mas ainda é um universo pouco explorado no futebol brasileiro, até com alguma razão.

No entanto, a presença oficial já confirmada de equipes como Corinthians, Flamengo Cruzeiro e Internacional não pode ser ignorada. Não que um jogo de videogame possa ser alvo de uma enorme campanha publicitária ou algo do tipo, mas trata-se de um produto que levará o nome da equipe para o exterior – e com um destaque bem maior do que o existente na série FIFA, onde a liga brasileira é apenas “mais uma”, enquanto em PES 2011 estes serão selecionáveis. Sem contar que, por estarem entre os mais fortes, fatalmente serão os visados pelos novatos.

Por aqui, o game da Konami se torna, em moldes semelhantes ao que o gerente de operações de produtos da FOX no Brasil, Miguel Dorneles, havia comentado há alguns meses na coluna sobre o Bola Social, uma “solução diferenciada” na divulgação da marca (no caso, do clube) e numa associação dela com “inovação”. Seria “moderno” apostar nos games, por assim dizer. Interessante, então que os envolvidos incentivem não apenas a aquisição do jogo (“leve a equipe do coração ao título máximo da América“, etc…), mas que esta se dê pelo produto original, podendo ser vendido nas próprias lojas.

Não é simples, é verdade. Primeiramente porque, como já dito, os grandes videogames de hoje ainda não são totalmente acessíveis. Só o agora já velho Playstation 2 – que, contra todas as expectativas e anúncios, deverá receber uma versão de PES 2011 – parece estar mais palpável. Segundo, porque os preços são realmente um grande empecilho, pelo menos até o projeto de lei 300/07 – sobre a redução de impostos para compra de jogos e consoles – caminhar em Brasília. No entanto, trata-se de um cenário em que o futebol e a indústria de games podem caminhar juntos. Inclusive para uma eventual participação em um projeto que tem ganhado força nos bastidores, o Jogo Justo.

O Cruzeiro é outro brasileiro presente no novo game da Konami. Foto: Reprodução

Apesar de os jogos do gênero não dominarem o mercado internacional, estes são fortes por aqui, notadamente pela enorme força do esporte bretão no Brasil. Crianças, jovens e adultos e até de diferentes classes sociais podem não conhecem Halo ou Metar Gear Solid, mas sabem todas as “manhas” de PES. Daí a crer que todos consumam produtos originais é exagero, claro. Por sua vez, é possível interpretar que motivados pela atual corrente de incentivo à aquisição de artigos licenciados dos clubes do coração – em especial, Corinthians e Flamengo, donos das maiores torcidas do país -, haja uma probabilidade interessante de parcela razoável aderir aos jogos “legais”.

O sucesso de uma maior compra de PES originais por aqui não será despercebido pela Konami. Já há um tempo os japoneses observam atentamente a América do Sul, e em especial o Brasil. Organizam torneios por aqui, encaminharam questionários para conhecer as preferências dos brasileiros. Para os gamers, é mais um passo rumo ao surgimento de um Campeonato Brasileiro no jogo, com a renovação de licenças que “vêm dando certo“ e a oportunidade de estas se expandirem. Já para os clubes, aparece mais uma possibilidade de exposição virtual da marca, além do licenciamento de um produto de grande apelo, que transcende fronteiras.

Um passo é sempre um passo, por mais singelo que possa ser. E o futebol, como este colunista já comentou há alguns meses, pode não somente conhecer melhor a ferramenta videogame e observar como seu alcance pode ser útil nos negócios, como de quebra ser aliado importante para, com a força natural que este esporte tem, sob a ótica política e popular, dar sua “parcela de contribuição” para um grande boom dos games por aqui. Todos podem acabar se ajudando.





10 anos de PS2 – Futebol

24 07 2010

Seguindo com a recaptulação e coletânea de colunas publicadas no portal Trivela, sobre games de futebol, o blog relembra agora o texto “comemorativo” aos dez anos do surgimento daquele que é considerado o videogame de maior sucesso de todos os tempos – o Playstation 2. Um console que, especificamente para a classe dos jogos esportivos, foi extremamente importante, possibilitando o aparecimento e a consolidação de títulos expressivos.

No caso do futebol, então, nem se fala. Afinal, foi no PS2 que se acirrou a rivalidade entre FIFA e Pro Evolution Soccer, com o jogo da Konami assumindo grande protagonismo em meio à dificuldade da EA Sports em acertar a mão com seu principal jogo do desporto bretão. E mesmo já “decenário”, ainda é imensamente popular, principalmente no Brasil, especialmente em virtude do difícil acesso do brasileiro a aparelhos de gerações mais recentes.

Em próximos tópicos, esse “aniversário” do PS2 será também relembrado em outras modalidades. O automobilismo será tema do próximo capítulo acerca da histórica do popular console da Sony. Mas antes disso, no final de semana, o blog republicará a coluna de games da Trivela deste domingo (25). Na introdução do próximo post, o “porquê” dessa ideia será mais bem explicado.

Década inesquecível 
Postado em 7/3/2010 às 11:20 por Lincoln Chaves

Qual o maior videogame de todos os tempos? Resposta difícil, até porque, tal como no futebol, envolve muito mais emoção do que efetivamente razão. É normal, portanto, dizer-se que cada console teve seu tempo, e é complicado dizer qual foi mais inovador, em suas devidas proporções.

Porém, na hora de recorrer aos números — o que também pode ser subjetivo, já que, na medida em que os games evoluem, seu público fatalmente aumenta — e até ao se analisar um pouco de seu histórico, é possível deduzir que o “Most Valuable Video Game Ever” é o Playstation 2, que comemora em 2010 seu “decenário”.

“Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o futebol nos games?”. Tudo. Afinal, é no PS2 que a franquia mais popular no Brasil do desporto bretão nos jogos eletrônicos, Pro Evolution Soccer, explodiu de vez. É no PS2 que a então grande marca dos games futebolísticos, FIFA, deixou fragilidades evidenciadas, e viu que, para a próxima geração, teria que melhorar muito.

Pode-se concluir que no Playstation 2, o futebol virtual ganhou uma verdadeira “Guerra Fria” no cenário dos jogos do gênero, com o gosto bipolarizado em FIFA e PES, com este último em alta e angariando cada vez mais fãs, a ponto de fazer o primeiro tentar “copiar” o game da Konami — e não ter muito sucesso. O que, como se vê, parece ter sido aprendido pela EA Sports.

Se na era anterior, ainda havia incertezas se eram os japoneses que voltariam a brigar com FIFA pelo topo, a “década PS2” não só encerrou as dúvidas como discutiu se o jogo da EA Sports, por sua vez, seria capaz de resgatar sua tradição e rebater o ataque konamista. Por sua vez, foi também uma espécie de “fim” para qualquer outra investida no gênero futebol nos games, visto o fracasso de todas as outras produções.

Printscreen de FIFA 2005, para PS2

No mercado

O Playstation 2 chegou aos mercados japoneses em 4 de março de 2000, quando o Dreamcast parecia começar a engrenar. No entanto, o aparelho da Sega teve uma receptividade tão lenta, e a Nintendo “enrolou” tanto com o GameCube (que passou tempos sendo chamado de Dolphin), que a expectativa pelo novo console da Sony ficou imensa.

Grande sucesso no fim da década de 90, o Playstation 1 já havia provocado o surgimento de muitas franquias de sucesso, como Metal Gear Solid, Rayman, Final Fantasy, além, claro, de Pro Evolution Soccer. Bastou levar os títulos para novas versões, muito mais bonitas e com mais desafios, para que a procura pelo aparelho estourasse ao redor do mundo.

Além de expandir séries conhecidas — já se falará do boom de PES no console —, o PS2 criou novos blockbusters, como Devil May Cry, Kingdom Hearts e God of War. Foi também no aparelho que o idolatrado Guitar Hero surgiu e fez acachapante sucesso. Mas o maior destaque foi mesmo Grand Theft Auto (GTA) San Andreas, que ultrapassou as 17 milhões de cópias vendidas.

O PS2 é o videogame mais vendido de todos os tempos, com mais de 140 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, e aproximadamente 1.600 jogos lançados. Curiosamente, mesmo uma geração atrás, quem tem o console ainda verá títulos novos neste ano. Tudo porque o aparelho, antes altamente caro, tornou-se “popular”, e o incrível: os softwares ainda vendem!

Muito disso se dá em virtude do grande custo — e não se fala somente em nível de Brasil — com o qual os videogames next-gen foram lançados. Além disso, a crise mundial pode ter influenciado relativamente pouco na indústria de games, mas influiu em vendas abaixo do esperado. Tanto que Microsoft, Sony e Nintendo acabaram reduzindo os custos de seus consoles. E quem já tinha um PS2, não necessariamente embarcou em uma nova aquisição: conteve-se e seguiu dando boas vendagens aos jogos do aparelho.

Na bola

A rivalidade entre Konami e EA Sports, no PS1, já estava com o pêndulo do mercado se aproximando dos japoneses. Apesar das licenças e da maior variedade de opções, FIFA apresentava, no aparelho, gráficos fracos e uma jogabilidade difícil, enquanto o antecessor de PES, International SuperStar Soccer Pro Evolution, o tradicional Winning Eleven, já se destacava nos pontos fracos do rival.

A Konami dominou o mercado de games futebolísticos com PES na era PS2

A era PS2 foi a que levou o jogo da Konami a seu maior momento. Mesmo com nenhuma das equipes sendo licenciada na primeira versão de PES para o console, a beleza visual, a sonoridade e uma jogabilidade mais sensível, porém fácil e mais próxima da perfeição na simulação de um game futebolístico na época, arrebataram o público.

Ano após ano, a franquia aprimorou-se graficamente e em sua base de dados, adquirindo licenças inéditas, aprimorando o que foi uma de suas maiores criações (Master League) e alcançando tal patamar que outros consoles, além dos PCs, também ganharam versões do game, “revelado” no PS2. E quando pessoas da própria EA admitem que o jogo dominou a geração passada no futebol, não há muita dúvida da força que o game da Konami ganhou no aparelho da Sony.

FIFA, por sua vez, teve avanços pouco destacáveis, e embora mantivesse seu público mais cativo, principalmente no Reino Unido, viu, especialmente quando PES começou a obter licenças, o avanço forte do jogo japonês no continente onde dominavam. Tentou-se copiar muitos detalhes do game que marcou o PS2, como a barra de força do chute e mesmo a disposição dos botões. Mas a emenda saiu pior que o soneto, e a mecânica, principal problema, seguia ruim.

Enquanto PES e FIFA brigavam pelo posto de melhor game futebolístico, outros jogos até chegaram a surgir, mas a rivalidade iniciada na era PS1 era tão grande que monopolizou as atenções. Poucos se lembram, por exemplo, que a série This Is Football, que surgiu na primeira geração da Sony, ganhou jogos até 2005. Mas as vendas não colaboraram, nem a mídia, e nem os jogadores, que se apegavam a seus “favoritos” com forte apreço, ignorando qualquer eventual teste.

Esse também acabou sendo um reflexo no cenário do futebol virtual presenciado no Playstation 2. Se no passado, até pela menor exigência de programação, havia diversos tipos e modos de games do desporto bretão, a era PS2, com obrigações claras com jogabilidade e beleza visual, limitou eventuais “aventureiros”, deixando as opções restritas a apenas dois: FIFA ou PES.

Não dá para desatrelar a história do Playstation 2 dos games de futebol. É nele que surgiu o maior rival do antes imbatível FIFA. É ele que se notabilizaria como o “videogame do povão”, e que, especialmente para nós, brasileiros, acabaria aproximando (ainda que com a pirataria, deve-se confessar) o game propriamente dito de muita gente, seja em lan houses, seja em casas de amigos.

A era PS2 está chegando ao fim, e, no caso do futebol, chegará pouco antes da Copa, com 2010 FIFA World Cup, dito como o último game do gênero a ser lançado para o console. (Obs.: Até a publicação deste artigo, o game da Copa fora anunciado para PS2, mas a EA acabou não desenvolvendo a versão para o console) Para fãs e saudosistas, um jogo que tem tudo para se tornar uma verdadeira relíquia, uma lembrança final do que é, ao menos nos números, o maior videogame de todos os tempos.