Primeira impressão: PES 2011

2 10 2010

Veron contra Ronaldo é um dos duelos que PES 2011 proporcionará a partir de 5 de outubro. Foto: Divulgação

A franquia Pro Evolution Soccer perdeu grande espaço para FIFA com a chegada dos consoles next-gen. Tudo bem, trata-se de que já foi comentado e falado, e muito porque houve uma certa “inércia”, uma dificuldade em se detectar o que vinha dando errado até mais ou menos 2008. De 2009 em diante, o cenário começou a melhorar. Em 2010, a Konami começou a ouvir mais atentamente a seus jogadores mais assíduos e tentar entender melhor como e onde mexer. Eis que para 2011, após mais uma série de análises, reflexões e opiniões de fanáticos pela série, a sensação que fica após se jogar a versão DEMO de PES é de que os japoneses enfim estão voltando a acertar o caminho, e pelo menos nesse primeiro contato, demonstram ter conseguido uma evolução bastante considerável em relação a PES 2010. E talvez o principal: sem perder a linha aquele já conhecido aspecto da diversão, tão constante na franquia.

A DEMO não proporciona muitas opções de jogo, o que até é natural. Basicamente, o jogador pode fazer um amistoso entre Barcelona e Bayern Munique ou estrear a famigerada e aguardada Copa Libertadores, comandando o Internacional ou o Chivas Guadalajara. E logo de cara, os gráficos já chamam atenção por estarem bem mais detalhados que na edição anterior do game. As expressões dos jogadores foram melhor trabalhadas e uma variedade maior de atletas – isso é visível – foi observada para que se pudessem ser traçadas as novas faces. Nomes como Messi, Iniesta ou Ibrahimovic estão realmente fiéis, e mesmo aqueles que não foram efetivamente reproduzidos ganharam combinações que se aproximam muito do que realmente são. Sentiu-se falta, talvez, de uma maior gama de detalhes fora das quatro linhas – tal qual no PES 2010 -, por vezes dando uma sensação de que o jogo está distante das arquibancadas. Talvez uma “animação” maior às torcidas fosse uma boa. Por sua vez, a movimentação dos jogadores ganhou a prometida variação – que faltou em 2010 -, com dribles próprios de determinados atletas.

Cheguemos então à jogabilidade, maior carro-chefe de Pro Evo. E esta está muito evoluída, dando grande controle ao usuário. Os controles estão mais leves, permitindo maior domínio do jogador e facilitando, portanto, a ação de dribles e jogadas de mais efeito, algo que já era um ponto de destaque antigo em PES. Por sua vez, a inteligência artificial parece bem melhorada, apertando bastante a marcação – por vezes com pelo menos dois defensores em cima do atacante que mantém a posse de bola. O que parece natural, já que as condições de controle se colocam como mais propícias aos jogadores. Essa busca em dar ainda mais “poder” a quem está com o joystick na mão trouxe efeitos também na potência e na direção de chutes ou passes. A bola não segue órbitas exageradas como historicamente em FIFA, mas pode fazê-lo caso o jogador não controle a força com a qual fará um lançamento ou mesmo um passe em profundidade. É algo positivo, e que demandará mais habilidade do controlador, já que no primeiro momento, os toques iniciais isolarão algumas bolas.

Prova disso é que, na partida amistosa jogada pelo blogueiro, em vários momentos, craques como Iniesta e Xavi pecaram em lances mais plásticos. Tanto pela maior inteligência na cobertura de espaços como pela já explicada necessidade de se captar o “toque ideal” para o passe, o lançamento ou mesmo o chute. A IA também foi ampliada nos goleiros, mais espertos nas saídas de bola. Nesse primeiro momento, não foi possível ainda afirmar se as históricas jogadas “manjadas” de PES foram revistas. Particularmente, as principais ações do Barcelona comandado por este que vos escreve saíram pelas pontas – assim como o gol de Messi. Ainda assim, acredita-se que a versão final, com lançamento previsto para 5 de outubro de 2010, poderá ser mais conclusiva sobre essa ótica. E tendo em vistas as melhoras gerais que a Konami conseguiu incluir – e as que ainda não foram disponíveis, como o evoluído modo de edição (que tal montar o estádio e o clima à sua moda, ou fazer um time com um atacante cabeça-de-abóbora?), as perspectivas são positivas.

Em suma: Nesse primeiro momento, ainda é difícil concluir se FIFA ou PES saem como os grandes vencedores. Primeiro, porque, como insistentemente já se comentou, ambos têm um modus operanti diferente, ainda que busquem um mesmo objetivo – conquistar o público fã do futebol virtual. Segundo, pelo fato de poderem ser feitas duas análises: qual o game que é o melhor em seu todo e qual aquele que apresentou as melhoras mais sensíveis de suas edições 2010 para 2011. Pelas versões DEMO, o conjunto da obra de FIFA soa ainda estar um passo à frente, mas não com a mesma intensidade de outrora. Porém, está claro que a Konami deixou várias de suas armas fora da versão-demonstração, inclusive a Libertadores. De qualquer forma, fica claro que com a volta da boa e velha rivalidade da dupla – que parece estar retornando após dois períodos de inércia, tanto de FIFA no fim da era PS2, como de PES no princípio da geração nex-gen, quem sai ganhando são os gamers (por mais clichê que essa frase final possa ser).

Na coluna deste domingo, dia 3, na Trivela – e que será republicada aqui no EC8Bit no dia seguinte -, será feito um apanhado geral das duas DEMOs.

Anúncios




Primeira impressão: FIFA 11

28 09 2010

Benzema, do Real Madrid, é um dos destaques dos quadros de FIFA 11. Foto: Divulgação

Uma reflexão que este blogueiro já fez em textos publicados em sua coluna quinzenal na Trivela.com.br diz respeito ao “perfil” que marcou a franquia FIFA nos últimos anos. Perfil esse de um jogo que visava reproduzir, cada vez mais fielmente, as características mais próximas às reais de uma partida. E é inegável que a EA Sports vinha tendo sucesso nessa empreitada. Não apenas pelo modo 10×10 online que é considerado a experiência mais semelhante ao futebol como este é conhecido, mas pelo conjunto da obra das versões anteriores, com gráficos de destaque, variadas possibilidades de disputa e, apesar de deslizes antigos, como goleiros fracos e chutes que por vezes adotavam órbitas estranhas, a manutenção de um modus operanti de se jogar efetivamente mais “simulador” que o rival Pro Evolution Soccer, da Konami – que, por sua vez, embora pregasse buscar o que mais pudesse aproximar o jogador da experiência do futebol real, destacava-se com força nas opções que possibilitava ao usuário em campo, com sua famosa jogabilidade, capaz de propiciar lances por vezes inusitados, mas “gostosos” de se fazer.

Com isso, a expectativa era de que FIFA 11 – que será lançado oficialmente justamente nesta terça-feira, 28 de setembro –, caso seguisse sua própria tendência e buscasse trazer ao jogador uma experiência semelhante à do futebol atual, se apresentasse com uma jogabilidade melhor, mas um grau de dificuldade de movimentos maior. Impressão essa que é passada pelo que se viu na última Copa do Mundo, em que equipes quase 100% marcadoras foram predominantes, com Alemanha e, talvez, Espanha, Holanda, Argentina e Uruguai surgindo como os “refrescos” aos fãs da Jabulani. Eis que, sob uma ótica menos hardcore e mais “futeboleira”, a primeira impressão que o novo game da EA Sports passa, a partir de sua versão DEMO, é de que, dessa vez, a simulação futebolística resolveu facilitar a locomoção e a criatividade dos jogadores pelo campo. Difícil, talvez impossível por enquanto, dizer se isso foi “pensado”, para que pelo menos virtualmente, o futebol continuasse a correr solto. Mas que essa impressão não deixa de ser uma boa notícia aos fãs da série e, em especial, àqueles que gostam mesmo é de jogar a sua bolinha no videogame.

Há quem possa avaliar que mesmo essa melhoria (sim, porque via de regra, tudo que possa dar mais possibilidades ao jogador em um game pode ser considerado uma melhoria) “prejudica” a tradição da franquia, de apostar em jogos que trabalham mais a velocidade do usuário que o domínio deste no controle. De fato, historicamente, FIFA era o “jogo do chutão”, desde sua era nos consoles 16-bit e, evidentemente com suas devidas proporções, raramente sua inteligência artificial propiciava grandes espaços ou tempo para que se pudesse organizar um lance mais trabalhado, por exemplo. Pode até ser que um usuário mais “saudosista” ou “das antigas” tome um susto (positivo ou não, vai saber?) com as novidades. No entanto, nada mais interessante do que poder duelar com uma marcação forte com mais opções para superá-la, seja com um passe mais bem observado, com lançamentos menos intuitivos e mais dependentes de quem está com o joystick (ou o teclado, pois a versão de PC, após muito tempo, volta a ser uma boa pedida, com gráficos belíssimos e até mesmo uma mecânica bem mais desenvolvida). E, afinal, dar mais controle ao jogador não é dar a ele mais de uma experiência próxima do real?

Para testar o jogo, o blogueiro realizou uma partida amistosa (afinal, é o que é possível na versão DEMO) entre Chelsea e Bayer Leverkusen, comandando os Blues no “clássico”. Logo de cara, nota-se que o jogo ganhou mais cadência, deixando aquela velocidade às vezes meio exagerada de edições anteriores. Cadência essa que não deixa de ser um marco mais característico de PES, e que caiu bem no game da EA Sports. A partir desse ritmo mais moderado, é possível ter mais equilibrio na hora de trocar passes e verificar as melhores condições para lançamentos e chutes. Algo que valorizará equipes que contem com jogadores como Essien e Lampard, como o Chelsea. Outro ponto bem claro – algo que já vinha sendo prometido pela Electronic Arts – é a valorização não só da velocidade, mas da força dos jogadores. Anelka, sabe-se, é um atacante que se não é tão rápido, conta com um físico que lhe é importante para assegurar a posse de bola. Tal característica também é evidenciada. Não basta, portanto, o defensor ser veloz, mas, sendo ele mais fraco que o atacante rival, cabe ao usuário com o controle na mão buscar a melhor forma de roubar a bola. Mais uma vez, exigir-se-á mais do controlador.

Vale salientar, como já citado, a maior coordenação que o usuário tem sobre os atletas, além do controle da intensidade dos passes, que está de volta após não dar certo em versões anteriores, agora mais bem trabalhado e valorizado pela cadência que o jogo ganhou. Já visualmente, FIFA volta a se destacar positivamente, com a precisão nos detalhes dos atletas (fruto da ferramenta Personality+, com impactos tanto gráficos como nos atributos dos jogadores) inclusive dos estádios – detalhes esses que não são esquecidos mesmo quando se joga com a resolução mais baixa possível, o que, na versão para PC, propicia a jogadores com diferentes placas de vídeo a não terem a diversão defasada. Nas torcidas, é curioso observar as “coreografias” de alguns “torcedores” quando o time está no ataque ou marca gols. Ah, e não se pode esquecer: parece que, enfim, os goleiros do jogo da EA Sports – esses sim, verdadeiros “mãos de alface” – receberam a devida atenção. Estão mais espertos, principalmente no um-contra-um, e mais inteligentes nos rebotes.

Em suma: O blogueiro ainda testará a DEMO de Pro Evolution 2011, aguardado com muita ansiedade na América do Sul – e principalmente no Brasil – pela inédita presença da Libertadores e pela narração em português de Silvio Luiz, com comentários de Mauro Beting. Mas FIFA 11 dá ao rival o recado de que não pretende ceder o posto de líder de vendas e principal simulador de futebol atualmente. Resta aguardar para ver o que PES 2011 buscará valorizar em sua gameplay.

Para finalizar, o último video da EA Sports “chamando” os fãs da franquia para o game. Conhecem um certo “bando de loucos” que aparecem logo nos primeiros segundos?