Review: FIFA 11

19 10 2010

Kaká é um dos garotos-propaganda de FIFA 11. Foto: Divulgação

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

FIFA 11 está no mercado desde o começo do mês, e em pouco tempo já fez sucesso. Segundo informações do VGChartz, site especializado na cobertura do mercado de games, em duas semanas, o jogo da EA Sports ultrapassou a marca dos 3 milhões de unidades vendidas só observando as negociações para Xbox 360 (1,245 milhão) e Playstation 3 (1,915 milhão) no planeta. O game também, pela segunda vez seguida, fez “dobradinha” com suas versões para os dois consoles next-gen no ranking de mais vendidos da semana, com a produção de PS3 superando as 500 mil unidades negociadas e a de Xbox 360 alcançando quase 360 mil vendas.

Números significativos que confirmam o quão esperada era a edição 2011 da franquia, que pelo menos sob a ótica mercadológica, deve seguir à frente do rival Pro Evolution Soccer, da Konami. Basta dizer que, também presente nas últimas duas semanas no levantamento do VGChartz, PES ainda não alcançou o primeiro milhão de cópias vendidas. No levantamento referente à semana de 9 de outubro, a versão para PS3 da franquia ocupou o quarto posto (quase 254 mil unidades negociadas), enquanto a edição para o console da Microsoft teve cerca de 79 mil vendas. Ainda assim, são dados que estão dentro de uma normalidade.

O sucesso de mercado de FIFA, naturalmente, teria de ser correspondido “em campo”, por assim dizer. E as boas impressões deixadas pela DEMO, como já discutido nesta coluna, no último texto, realmente são alcançadas e até superadas na versão final do jogo. Pela versão de demonstração, foi aqui constatado que FIFA ainda estava alguns passos à frente que PES, mas que ainda era cedo demais para concluir aquele que, em seu conteúdo, poderia ser considerado o melhor dos games. O colunista ainda terá um melhor contato com a edição definitiva do jogo da Konami, mas adianta: a parada será novamente dura aos japoneses.

Algumas opções iniciais do jogo não fogem ao esperado: amistoso, liga, copa (que pode ser configurada como o jogador desejar, podendo até formar um campeonato envolvendo Manchester United, Real Madrid e… Darlington), modo manager e o já tradicional Be a Pro. Neste último, porém, já se mostra uma das grandes novidades de FIFA 11: agora pode-se ser o goleiro da equipe. Missão árdua e que necessitará de uma grande experiência com o game e conhecimento até mesmo do estilo de jogo e chute dos rivais para se ter sucesso. O modo, porém, não conta com a opção de ser o camisa 1 na versão para PC.

Com a bola rolando, a expectativa criada pela versão DEMO se confirma. A jogabilidade está bastante evoluída e a menor velocidade do jogo dá mais vazão à criatividade dos jogadores, especialmente quando se tem em mãos um time com atletas criativos e de boas qualidades nos passes. Jogabilidade evoluída, por sua vez, não significa que esteja mais fácil. Na verdade – e isso é positivo – ela se adequa bastante a quem está com a pelota, e exige muito mais cabeça de quem comanda o joystick do que antes. É uma das influências da ferramenta Personality+, novidade introduzida ao game.

Trata-se de uma “personalização” maior das características dos jogadores, tanto na forma que eles correm como na maneira que dominam a bola ou parte com ela na corrida. Aí, há uma aproximação mais clara do que os atletas fazem em campo dos níveis que possuem em seu repertório. Por exemplo: dois jogadores de um time australiano podem dar um passe como Kaká ou tentar driblar à lá Messi. No entanto, a diferença abissal de níveis entre eles fica exposta quando o drible deste último resulta em uma bola que quase vai para a lateral ou o passe do primeiro pula como pipoca. “Mas isso é obvio, não?”. Sim, mas não o era.

A mecânica também ganha pontos quando derruba a velha história de que jogadores rápidos são sempre decisivos. Neymar, por exemplo, é um dos atletas mais interessantes do jogo. No entanto, a menos que tenha pleno domínio dos comandos de drible, partir assim para cima de um adversário mais parrudo não será fácil. Isso porque a força e a explosão física foram valorizadas. Ou seja: Neymar é rápido, mas é fraco fisicamente. Se quem estiver no comando do zagueiro tiver um bom domínio do manete, o jogo de corpo com o atacante santista pode barrar qualquer tentativa do jogador usar sua velocidade.

Curioso notar também que a dificuldade apontada também na DEMO se confirma. A marcação rival é sempre forte e em cima, desde o campo de defesa. Não que isso não ocorresse já em versões anteriores, mas FIFA 11 desenvolveu melhor essa característica. E, de fato, é importante notar o quão evoluidos estão os goleiros, e como o controlador agora precisa ter maior domínio de como chutar. O “um-contra-um” está menos propenso a falhas, e os chutes cruzados, diferentemente do usual (principalmente em PES), não são mais garantia de bola na rede. Um jogo mais desafiador, portanto.

Visualmente, como já se comentara no texto passado, FIFA aprimorou os gráficos e detalhou melhor jogadores, estádios e gramado. Pode-se também fazer diferentes e inusitadas convocações para as seleções nacionais ou montar um esquadrão estrelar em um Bohemians da vida na seção de transferências. Porém, no modo edição, não há como modificar aparências de atletas já existentes ou mesmo dos estádios (somente o nome é possível). Há novos rostos, cabelos e expressões possíveis de serem encontradas, mas somente para o seu “Virtual Pro” (o jogador que pode comandar no Be a Pro).

O licenciamento, que um dia já foi um dos grandes pontos fortes da EA Sports, por sua vez, deixou a desejar em alguns pontos. Não se fala nem especificamente do Brasil, que embora tenha “recuperado” equipes como Grêmio, Santos e Corinthians, está, por exemplo, sem Internacional (I.Porto Alegre), Guarani (G.Campinas), Avaí (A.Florianopolis) ou Atlético-GO (A.Goiania). Este último, aliás, teve seu uniforme reproduzido de maneira equivocada, nas cores preta e branca, quando na verdade o Dragão é rubro-negro. Os jogadores, porém, estão todos presentes e bem editados pelos produtores.

Essa boa edição ajuda um pouco a tirar uma certa imagem de “patinho feio” dos clubes brasileiros na franquia. Afinal, historicamente – e nesta coluna isto já foi até abordado – os brasucas, por mais em alta que estivessem, competiam apenas com uma Acadêmica ou um Basel, por exemplo. A presença de jogadores com um nível menos baixo – em especial nas principais equipes – é interessante. Outro ponto curioso foi a reprodução mais fiel que o usual do visual dos atletas. Neymar (com direito ao já famoso moicano), Diego Tardelli, Arouca e Wellington Paulista são exemplos de jogadores de fácil identificação.

Não bastasse as falhas nesse quesito (licenciamento de clubes), pode-se considerar também que a EA Sports definitivamente abriu mão do futebol de seleções, pelo menos fora do período de Copa do Mundo. São cerca de 40 países disponíveis, mas nem todos estão bem reproduzidos. Aos que não estão, há até mesmo uma certa discrepância nas bandeiras. A do Brasil é um quadrado esquisito, enquanto outras são mais “normais”, retangulares. Há, claro, um percentual muito maior de times licenciados e ligas oficiais (duas divisões da Itália, quatro da Inglaterra, etc.), mas são pontos marcantes de FIFA que não deveriam ser esquecidos.

Não se pretende aqui dar nota, tal qual os reviews de revistas especializadas, ao jogo. Até porque é importante ter um contato mais amplo com PES 2011 para se traçar um parâmetro mais evidente. Porém, FIFA 11, em que pese essa manutenção da “má fase fifista nos licenciamentos”, o game como um todo mostra evoluções consideráveis em relação a FIFA 10. Consideráveis nem tanto por serem tão grandiosas, mas pelo impacto e a melhor experiência que proporcionaram. A versão DEMO deu uma letra boa do que se poderia esperar, e o resultado final é muito satisfatório. Sinal de que o cenário atual das lojas não deve mudar tão cedo. Aos fãs da bola virtual e mesmo aqueles adeptos de PES, vale mesmo a pena conhecer FIFA 11.

Tal qual, pelo que se viu na DEMO, aqueles fanáticos por FIFA também poderiam esquecer a rivalidade por alguns dias e arriscar uns lances no novo Pro Evo. Aliás, quanto ao game da Konami, para aqueles que forem adquirir a versão para PC, uma boa notícia: o preço oficial será de R$ 50,00. Valor bastante acessível inclusive se comparado ao pirata, que é cerca de R$ 15,00 e não conta com a própria confiabilidade de um jogo original.





FIFA x PES: Teremos segundo turno

4 10 2010

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

As novas versões FIFA e Pro Evolution Soccer deixaram impressões bem positivas em suas DEMOs. Foto: Reprodução

Teremos segundo turno
Postado em 3/10/2010 às 12:11 por Lincoln Chaves

Já que estamos em clima de eleições, pode-se dizer que após uma análise inicial do que proporcionam FIFA 11 e Pro Evolution Soccer 2011 por intermédio de suas versões DEMO, teremos segundo turno na eterna eleição de “melhor game de futebol do momento”. Claro, não se pode tirar muitas conclusões a partir das opções que as demonstrações oficiais dos jogos deixam disponíveis para os jogadores. Até porque o foco maior destas é que o usuário possa ver melhor o que o espera no ato de jogar propriamente dito – leia-se jogabilidade, gráficos, etc.

No entanto, as DEMOs de ambos permitem um panorama inicial, e este é de que FIFA ainda se coloca um pouco à frente de PES, ainda que ambos tenham mostrado evoluções muito sensíveis e que o game da Konami tenha voltado de vez à bater de frente com o da EA Sports, diferentemente do que ocorrera nos últimos anos, quando, mesmo em evolução, a franquia japonesa ainda não havia “acertado a mão” na era next-gen. O segundo turno dessa eleição? Será mesmo conhecido nas próximas semanas, já que neste dia 5 PES 2011 chega oficialmente às lojas (FIFA 11 está no mercado desde o último dia 28).

Indo por partes, comecemos com a impressão visual. FIFA melhorou bastante o traçado dos jogadores e ampliou a gama aparências reproduzidas – ou seja, aquelas que são moldadas às características de determinados atletas, e que acabam sendo uma base para a formação dos demais. Os estádios também ganharam mais detalhes, bem como as torcidas, que não só estão melhor desenhadas como mais “animadas”. O redor do campo foi aprimorado e movimentado, aumentando a sensação de “presença” no jogo. PES também mostrou considerável evolução no campo visual tal qual FIFA, mas na visão deste colunista, poderia ter mais “vida” nos arredores do campo.

Sob a perspectiva da dificuldade, pode-se dizer que há um empate técnico, talvez pendendo um pouco, novamente, ao jogo da EA Sports. Em ambos, a marcação e a inteligência artificial foram aprimoradas. Até os goleiros de FIFA, sempre criticados por suas “mãos-de-alface”, estão mais exigentes e espertos. Em PES, por sua vez, a primeira impressão é a de que a Konami teve sucesso em corrigir as saídas bizonhas que alguns defensores faziam, por vezes facilitando contra-ataques. Ainda é difícil afirmar se os japoneses “maneiraram” com a abertura para jogadas “manjadas”, como o avanço pelas pontas e o chute cruzado, mas é notório que PES ganhou um tom mais desafiador.

Já a jogabilidade é um capítulo a parte, e embora, como em anos anteriores, PES tenha-a como mais fácil e controlável, FIFA deu um passo bastante consistente em sua mecânica. O game da Konami está bastante “manipulável”, com controles leves e que permitem a quem está no comando mudar o movimento do jogador com maior precisão. O contato com os botões está mais sensível e determinante. Ou seja: não bastará apenas apertar o botão do passe, mas o jogador deverá controlar a intensidade do toque e apontar a direção. Algo que fatalmente exigirá mais habilidade de quem está com o joystick na mão, e aprimora a já famosa jogabilidade da franquia.

FIFA, por sua vez, conseguiu dar para sua versão 2011 uma mecânica diferenciada, quebrando paradigmas de ser um game por vezes mais “duro”, “rígido”, que PES. Além disso, o jogo ganhou uma cadência maior, sem aquela velocidade às vezes até sufocante, e se tornou mais palpável até mesmo para aqueles mais adeptos do PES, que ainda tentam criar coragem para se aventurar no game da EA Sports. Com isso, tornou-se mais possível o usuário tramar alguma jogada diferente, especialmente quando conta com um Lampard ou um Essien na equipe. Diferente de antes, quando por vezes os jogadores precisavam ser mais rápidos do que efetivamente habilidosos com o joystick.

Pelo conjunto da obra, FIFA ainda fica alguns passos à frente. Segue superado na jogabilidade por PES, mas evoluiu-a de forma bem significativa e mostra ter tornado a experiência de jogo não só mais realística, mas “gostosa”, leve. Quanto a outros aspectos, conta com uma melhor ambientação da partida, no tocante ao clima e às animações extra campo, por exemplo. Registrou também gráficos sensivelmente mais detalhados. Por sua vez, o game da Konami evoluiu muito em todos os aspectos, visivelmente em sua inteligência artificial, na movimentação dos jogadores e em seu visual.

No entanto, PES está ainda com muito de suas cartas na manga escondidas. Na DEMO, por exemplo, podia-se jogar somente um amistoso entre Barcelona e Bayern Munique, e outro, já válido para o modo Libertadores, entre Internacional e Chivas Guadalajara. E após as partidas, era lançado um longo vídeo com as inovações do game, destacando-se um desenvolvimento enorme do modo de edição, com a possibilidade do jogador mexer de formas até extravagantes no estádio e no céu. Serão introduzidas também novas (e estranhas) faces para os jogadores, como uma cabeça de abóbora e um capacete medieval. Haverá até a possibilidade de se jogar com uma espécie de bola de meia.

A incógnita que reserva o extra-game de PES é o que torna ainda impossível determinar se FIFA seguirá à frente ou se perderá a batalha de 2011 pelo topo. É provável até que, pelo apresentado no ambiente de jogo propriamente dito, siga à frente. Mas é notório que a Konami tem voltado a acertar a mão com Pro Evolution, ressuscitando uma rivalidade que desde o início da era next-gen parecia uma balança que pendia por demais para um dos lados. O equilíbrio e a busca por novidades maiores, em ambos os lados, é o sinal disso, e quem ganha somos nós, jogadores e fãs do futebol, no campo e virtual.





Primeira impressão: FIFA 11

28 09 2010

Benzema, do Real Madrid, é um dos destaques dos quadros de FIFA 11. Foto: Divulgação

Uma reflexão que este blogueiro já fez em textos publicados em sua coluna quinzenal na Trivela.com.br diz respeito ao “perfil” que marcou a franquia FIFA nos últimos anos. Perfil esse de um jogo que visava reproduzir, cada vez mais fielmente, as características mais próximas às reais de uma partida. E é inegável que a EA Sports vinha tendo sucesso nessa empreitada. Não apenas pelo modo 10×10 online que é considerado a experiência mais semelhante ao futebol como este é conhecido, mas pelo conjunto da obra das versões anteriores, com gráficos de destaque, variadas possibilidades de disputa e, apesar de deslizes antigos, como goleiros fracos e chutes que por vezes adotavam órbitas estranhas, a manutenção de um modus operanti de se jogar efetivamente mais “simulador” que o rival Pro Evolution Soccer, da Konami – que, por sua vez, embora pregasse buscar o que mais pudesse aproximar o jogador da experiência do futebol real, destacava-se com força nas opções que possibilitava ao usuário em campo, com sua famosa jogabilidade, capaz de propiciar lances por vezes inusitados, mas “gostosos” de se fazer.

Com isso, a expectativa era de que FIFA 11 – que será lançado oficialmente justamente nesta terça-feira, 28 de setembro –, caso seguisse sua própria tendência e buscasse trazer ao jogador uma experiência semelhante à do futebol atual, se apresentasse com uma jogabilidade melhor, mas um grau de dificuldade de movimentos maior. Impressão essa que é passada pelo que se viu na última Copa do Mundo, em que equipes quase 100% marcadoras foram predominantes, com Alemanha e, talvez, Espanha, Holanda, Argentina e Uruguai surgindo como os “refrescos” aos fãs da Jabulani. Eis que, sob uma ótica menos hardcore e mais “futeboleira”, a primeira impressão que o novo game da EA Sports passa, a partir de sua versão DEMO, é de que, dessa vez, a simulação futebolística resolveu facilitar a locomoção e a criatividade dos jogadores pelo campo. Difícil, talvez impossível por enquanto, dizer se isso foi “pensado”, para que pelo menos virtualmente, o futebol continuasse a correr solto. Mas que essa impressão não deixa de ser uma boa notícia aos fãs da série e, em especial, àqueles que gostam mesmo é de jogar a sua bolinha no videogame.

Há quem possa avaliar que mesmo essa melhoria (sim, porque via de regra, tudo que possa dar mais possibilidades ao jogador em um game pode ser considerado uma melhoria) “prejudica” a tradição da franquia, de apostar em jogos que trabalham mais a velocidade do usuário que o domínio deste no controle. De fato, historicamente, FIFA era o “jogo do chutão”, desde sua era nos consoles 16-bit e, evidentemente com suas devidas proporções, raramente sua inteligência artificial propiciava grandes espaços ou tempo para que se pudesse organizar um lance mais trabalhado, por exemplo. Pode até ser que um usuário mais “saudosista” ou “das antigas” tome um susto (positivo ou não, vai saber?) com as novidades. No entanto, nada mais interessante do que poder duelar com uma marcação forte com mais opções para superá-la, seja com um passe mais bem observado, com lançamentos menos intuitivos e mais dependentes de quem está com o joystick (ou o teclado, pois a versão de PC, após muito tempo, volta a ser uma boa pedida, com gráficos belíssimos e até mesmo uma mecânica bem mais desenvolvida). E, afinal, dar mais controle ao jogador não é dar a ele mais de uma experiência próxima do real?

Para testar o jogo, o blogueiro realizou uma partida amistosa (afinal, é o que é possível na versão DEMO) entre Chelsea e Bayer Leverkusen, comandando os Blues no “clássico”. Logo de cara, nota-se que o jogo ganhou mais cadência, deixando aquela velocidade às vezes meio exagerada de edições anteriores. Cadência essa que não deixa de ser um marco mais característico de PES, e que caiu bem no game da EA Sports. A partir desse ritmo mais moderado, é possível ter mais equilibrio na hora de trocar passes e verificar as melhores condições para lançamentos e chutes. Algo que valorizará equipes que contem com jogadores como Essien e Lampard, como o Chelsea. Outro ponto bem claro – algo que já vinha sendo prometido pela Electronic Arts – é a valorização não só da velocidade, mas da força dos jogadores. Anelka, sabe-se, é um atacante que se não é tão rápido, conta com um físico que lhe é importante para assegurar a posse de bola. Tal característica também é evidenciada. Não basta, portanto, o defensor ser veloz, mas, sendo ele mais fraco que o atacante rival, cabe ao usuário com o controle na mão buscar a melhor forma de roubar a bola. Mais uma vez, exigir-se-á mais do controlador.

Vale salientar, como já citado, a maior coordenação que o usuário tem sobre os atletas, além do controle da intensidade dos passes, que está de volta após não dar certo em versões anteriores, agora mais bem trabalhado e valorizado pela cadência que o jogo ganhou. Já visualmente, FIFA volta a se destacar positivamente, com a precisão nos detalhes dos atletas (fruto da ferramenta Personality+, com impactos tanto gráficos como nos atributos dos jogadores) inclusive dos estádios – detalhes esses que não são esquecidos mesmo quando se joga com a resolução mais baixa possível, o que, na versão para PC, propicia a jogadores com diferentes placas de vídeo a não terem a diversão defasada. Nas torcidas, é curioso observar as “coreografias” de alguns “torcedores” quando o time está no ataque ou marca gols. Ah, e não se pode esquecer: parece que, enfim, os goleiros do jogo da EA Sports – esses sim, verdadeiros “mãos de alface” – receberam a devida atenção. Estão mais espertos, principalmente no um-contra-um, e mais inteligentes nos rebotes.

Em suma: O blogueiro ainda testará a DEMO de Pro Evolution 2011, aguardado com muita ansiedade na América do Sul – e principalmente no Brasil – pela inédita presença da Libertadores e pela narração em português de Silvio Luiz, com comentários de Mauro Beting. Mas FIFA 11 dá ao rival o recado de que não pretende ceder o posto de líder de vendas e principal simulador de futebol atualmente. Resta aguardar para ver o que PES 2011 buscará valorizar em sua gameplay.

Para finalizar, o último video da EA Sports “chamando” os fãs da franquia para o game. Conhecem um certo “bando de loucos” que aparecem logo nos primeiros segundos?





Locução virtual

13 09 2010

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

John Motson foi um dos marcos na narração de games de futebol, atuando por aproximadamente 10 anos nas séries FIFA e World Cup, da EA Sports. Foto: Divulgação

Locução virtual
Postado em 5/9/2010 às 12:33 por Lincoln Chaves

Dando uma breve interrompida na série de textos e entrevistas sobre a presença brasileira no Pro Evolution Soccer 2011, a coluna vem retomar nesta semana um dos mais curiosos e marcantes atrativos dos games de futebol. Às vezes, de fato, este atrativo não é dos mais bem desenvolvidos e motiva os jogadores a colocarem a televisão no mudo. Mas quando bem feita – algo que é cada vez mais desenvolvido e aprimorado pelas equipes técnicas responsáveis pela produção dos games -, a narração chega a ser tão memorável – até mais – quanto o jogo propriamente dito.

Claramente foi-se o tempo que considerava-se narração o mero pronunciar de palavras como “Goal Kick”, “Throw In”, ou mesmo o “Goal”. Hoje esse processo evoluiu de tal forma que para vários jogadores já há até um texto específico lido pelo narrador virtual, exaltando alguma de suas qualidades. Claro, não passam de gravações pré-estabelecidas e que não irão muito além do que já falam. Porém, não deixam de, aprimoradas ano a ano, inserir cada vez mais o clima do jogo na experiência de que está com as mãos no joystick.

A inserção de narrações em games de futebol – entendendo narração com uma informação sonora – veio mesmo na década de 90. Até então, as opções de som nos jogos futebolísticos eram mesmo os gritos (?) das torcidas, o contato da bola com o pé do jogador (inicialmente “estático”, ganhando depois contornos reais de um toque) ou o apito do juiz. Em alguns casos, havia até a preferência por uma musiquinha de fundo. O máximo que poderia se ouvir gritar era um “Goal”. Nada além disso. Falamos aqui, porém, ainda de 1992.

As primeiras evidências mais marcantes de narrações surgiram em 1995, no histórico International SuperStar Soccer Deluxe. Além dos gritos de gol, falta e punições (“Yellow Card!”) – que já eram um avanço considerável presenciados na versão anterior do jogo – International SuperStar Soccer -, surgiram os destaques sonoros para chutes de longa distância, lançamentos (“Long shot!”), e o arremate propriamente dito (“He shoots!”). Mesmo as entradas mais violentas ganharam uma pergunta indignada do narrador: “No fault?”.

E aí, vale uma “menção honrosa” àquela que é, pelo menos para os brasileiros, uma das mais recordadas narrações é, inquestionavelmente, a de uma das versões “não-oficiais”, por assim dizer, de ISS Deluxe: o famoso “Campeonato Brasileiro 96”, com as equipes do Brasileirão de 1995 e frases como “Grande jugada!”, “Chutou, que lindo!” e o que até hoje é traduzido como “Viva Senna”. Há quem considere que foi efetivamente a primeira vez que as narrações – talvez por estas serem em um portunhol dos mais estranhos, mas engraçados – ganharam maior atenção por aqui.

Se a evolução motivou a rival da Konami, a Electronic Arts, a se mexer, não é algo comprovado. Mas o fato é que para FIFA 96, primeiro da franquia lançado após ISS Deluxe, já se programou um aprimoramento bastante interessante no que se entendia por narração. Era aquela a primeira participação do famoso narrador inglês John Motson na série onde permaneceria até a edição 2006 do game, estando também nos jogos oficiais da Copa do Mundo lançados pela EA Sports, “estreando” em Mundiais em World Cup 98.

A entrada de John Motson foi um marco importante no que diz respeito à narração nos games de futebol. Primeiro porque estava lá um nome que já era referência no segmento. Segundo, pelo fato de ser um dos principais atos no sentido de aproximar o game do futebol “real” – e nada melhor, portanto, do que um narrador – acompanhado do comentarista Andy Gray – “original” para dar um toque ainda maior de simulação esportiva na brincadeira. Além disso, comentários pós-lances de chute ou mesmo entradas violentas, e a citação dos nomes dos jogadores passaram a ser comuns.

John Kabira, o "mito" da voz no PES. Foto: Divulgação

Mas a Konami não parou no tempo e se os ocidentais vinham com Motson, os japoneses apresentavam ao público mundial o também famoso Jon Kabira, outro proveniente da mídia nipônica, e até hoje é responsável pela narração da versão oriental do game. E a cada jogo, Kabira adicionava novos termos aos seus curiosos gemidos quando o atacante invadia a área rival com facilidade, ou o já tradicional “Shuuto!”, antes dos chutes. Há fãs de Pro Evolution Soccer que até hoje preferem ter os jogos narrados pelo japonês, pela ligação até afetiva com versões antigas.

O sucesso que as narrações ganharam no Brasil aos poucos fizeram com que profissionais daqui começassem a ser convidados para participar dos jogos. Milton Leite, da SporTV, deu o pontapé inicial em FIFA 99 para PC. Aliás, desde então, a série sempre contara com narradores brasileiros (na versão para computador). No FIFA 10, Nivaldo Prieto, da Bandeirantes, fez dupla com Paulo Vinícius Coelho, o PVC, da ESPN Brasil. Mais: na edição 2009, os áudios em português foram conteúdos adicionais gratuitos para PS3 e Xbox 360 via download em suas redes online.

Desde 2010, por sua vez, Pro Evolution Soccer e a Konami já dava sinais de que poderia vir com alguma novidade neste sentido, logo, logo. Na ocasião, o game contou com a primeira narração “oficial” em português (não, as versões de Andre Henning e Galvão Bueno, embora tenham ficado famosas, não eram oficiais), por intermédio do locutor Pedro Sousa e do ex-jogador e comentarista João Vieira Pinto, ambos portugueses (o jogo também é popular por lá). No Brasil, a aceitação encontrou alguma resistência, considerando que a dupla “não passava emoção” à partida.

E justamente no ano que a EA Sports, considerando que o retorno financeiro dos games para computador, principalmente em virtude da pirataria, não valia um novo investimento nesse sentido, PES virá pela primeira vez com narradores brasileiros: Sílvio Luiz e Mauro Beting. Em entrevistas recentes, os dois confirmaram que as gravações foram feitas há quatro meses e terão alguns de seus bordões mais conhecidos. Será que teremos um “pelo amor dos meus filhinhos!” após um incrível gol perdido? Mais uma novidade que, aliada à presença da Libertadores, aumenta ainda mais as expectativas, no Brasil para PES 2011.

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Que tal relembrar um pouco desses históricos narradores?

John Kabira (Konami) – narração “especial” no PES 2009

John Motson (EA Sports) – vídeo “musical” com trechos de narrações do inglês





FIFA 11: Investindo na personalidade

10 08 2010

Mais uma vez, o blogueiro pede desculpas por ainda não ter conseguido dar prosseguimento na série de games esportivos de destaque lançados para Playstation 2, assegura que o assunto não foi esquecido e que logo será retomado – e como prometido, abordando os jogos de velocidade no blog. Por hora, este que vos escreve republica o artigo assinado no Trivela.com.br no último domingo, 8 de agosto, com as primeiras expectativas para FIFA 11. E aos que acompanham o EC8Bit, o blog está buscando conversar com representantes dos clubes que serão licenciados no próximo Pro Evolution Soccer, e trará novidades em breve.

Wayne Rooney é um dos jogadores que serão beneficiados com características mais próximas às suas reais em FIFA 11. Foto: Divulgação/EA

Investindo na personalidade 
Postado em 8/8/2010 às 18:07 por Lincoln Chaves

Na coluna passada, como se sabe, fez-se aqui uma análise mais elaborada sobre o aspecto mais interessante – claro, tendo em vista talvez aquele que traria mais impacto ao público trivelista – de Pro Evolution Soccer 2011, que era a chegada da Copa Libertadores ao mais popular game de futebol do Brasil. Como se sabe, porém, ao redor do mundo, a expectativa – e os números de vendas da versão 2010 confirmam isso – está mesmo em FIFA 11. O game tem previsão de ser lançado em 28 de setembro, para os consoles next-gen (incluídos aí os portáteis) e mesmo PC e – sim! – Playstation 2.

Claro que os usuários do PS2 não devem esperar grandes mudanças em relação a FIFA 10, por razões que, inclusive, a coluna já comentou: a EA deixou claramente de lado a versão para o aparelho, produzindo-o mais pelo natural retorno (não esqueçam que os números de Playstation 2 vendidos ao longo de seus 10 anos de existência não são fáceis de serem superados, e boa parte dos usuários, especialmente em países subdesenvolvidos, ainda não deixou o antigo console da Sony de lado) que ainda há nas lojas do que efetivamente pelo critério futurista. Estes ficarão mesmo restritos mesmos aos next-gen.

Mas vamos ao que interessa. Conforme os produtores vêm anunciando, uma das novidades que serão mais perceptíveis está no físico dos jogadores, tidos até 2010 como muito semelhante uns aos outros. Haverá mais variações para as aparências, tendo inclusive uma “especial” para aqueles atletas que não possuem lá um corpanzil dos mais definidos. Resta saber qual será o alcance dessa melhora. Vendo um pouco do histórico de FIFA (e recordando dos rostos idênticos dos jogadores da liga brasileira no fim dos anos 90, prevê-se que isso será focado às principais ligas, onde se espera que haja uma maior procura dos usuários.

O detalhamento parece mesmo ser a bola da vez. É o que a EA passa ao anunciar a ferramenta “Personality+”, que visa “espelhar” as ações de campo específicas dos jogadores para o gramado virtual. Dados da empresa americana mostram que os atletas a estarem presentes foram avaliados em 36 atributos e mais 57 traços característicos por cerca de 1.700 observadores dos mais diferentes gêneros, espalhados pelo mundo. Revelou-se que até mesmo os goleiros, usualmente pouco visados – e um “calcanhar de Aquiles” da franquia -, também serão afetados por essa tecnologia. Em suma: busca-se deixar FIFA ainda mais simulador que outrora.

Essas características terão grande importância para “incrementar”, por assim dizer, outra das melhorias previstas, que é o maior controle do passe por parte do usuário. A reprodução do fundamento será mais sensível a fatores como a intensidade com a qual o botão foi pressionado e a qualidade técnica dos atributos do jogador que tocar a bola e do que receber. Mesmo o rendimento dos atletas em campo seguirá mais à risca o indicado em seus níveis. Isso deverá ficar claro no modo Be a Pro. Ou seja: se o cara possui índice de trabalho baixo, prepare-se para se desdobrar por ele em campo na maioria das vezes…

Como dá para ver, FIFA 11 não reserva grandes novidades de cunho visual (exceto pelo esperado “fim da padronização física” dos jogadores). Até terá opções extras interessantes, especialmente na área sonora. O usuário poderá selecionar suas próprias músicas para constar na trilha musical dos menus e até incluir músicas ou gritos de torcidas para durante os jogos. Mas fica claro que os grandes focos são mesmo investir no aprimoramento da simulação por intermédio do fortalecimento dos detalhes individuais e, de quebra, incentivar o gamer a desenvolver mais a habilidade com o joystick do que as famosas “manhas”.

Uma conclusão que surge é de que ambos os focos não se anulam. Pelo contrário. Com esse maior detalhamento, o usuário passa quase que obrigatoriamente a buscar um maior conhecimento do time que utilizará, atentar-se às limitações ou destaques técnicos dos jogadores e, com isso, mais bem administrar o jogo. Esses pontos deverão ter um reflexo mais evidente no Be a Pro, onde a habilidade do gamer no comando do atleta e no próprio conhecimento do jogo já é naturalmente incentivada. Vale lembrar que o gênero é a grande coqueluche da franquia há pelo menos duas edições. E o será cada vez mais. É aguardar.





10 anos de PS2 – Futebol

24 07 2010

Seguindo com a recaptulação e coletânea de colunas publicadas no portal Trivela, sobre games de futebol, o blog relembra agora o texto “comemorativo” aos dez anos do surgimento daquele que é considerado o videogame de maior sucesso de todos os tempos – o Playstation 2. Um console que, especificamente para a classe dos jogos esportivos, foi extremamente importante, possibilitando o aparecimento e a consolidação de títulos expressivos.

No caso do futebol, então, nem se fala. Afinal, foi no PS2 que se acirrou a rivalidade entre FIFA e Pro Evolution Soccer, com o jogo da Konami assumindo grande protagonismo em meio à dificuldade da EA Sports em acertar a mão com seu principal jogo do desporto bretão. E mesmo já “decenário”, ainda é imensamente popular, principalmente no Brasil, especialmente em virtude do difícil acesso do brasileiro a aparelhos de gerações mais recentes.

Em próximos tópicos, esse “aniversário” do PS2 será também relembrado em outras modalidades. O automobilismo será tema do próximo capítulo acerca da histórica do popular console da Sony. Mas antes disso, no final de semana, o blog republicará a coluna de games da Trivela deste domingo (25). Na introdução do próximo post, o “porquê” dessa ideia será mais bem explicado.

Década inesquecível 
Postado em 7/3/2010 às 11:20 por Lincoln Chaves

Qual o maior videogame de todos os tempos? Resposta difícil, até porque, tal como no futebol, envolve muito mais emoção do que efetivamente razão. É normal, portanto, dizer-se que cada console teve seu tempo, e é complicado dizer qual foi mais inovador, em suas devidas proporções.

Porém, na hora de recorrer aos números — o que também pode ser subjetivo, já que, na medida em que os games evoluem, seu público fatalmente aumenta — e até ao se analisar um pouco de seu histórico, é possível deduzir que o “Most Valuable Video Game Ever” é o Playstation 2, que comemora em 2010 seu “decenário”.

“Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o futebol nos games?”. Tudo. Afinal, é no PS2 que a franquia mais popular no Brasil do desporto bretão nos jogos eletrônicos, Pro Evolution Soccer, explodiu de vez. É no PS2 que a então grande marca dos games futebolísticos, FIFA, deixou fragilidades evidenciadas, e viu que, para a próxima geração, teria que melhorar muito.

Pode-se concluir que no Playstation 2, o futebol virtual ganhou uma verdadeira “Guerra Fria” no cenário dos jogos do gênero, com o gosto bipolarizado em FIFA e PES, com este último em alta e angariando cada vez mais fãs, a ponto de fazer o primeiro tentar “copiar” o game da Konami — e não ter muito sucesso. O que, como se vê, parece ter sido aprendido pela EA Sports.

Se na era anterior, ainda havia incertezas se eram os japoneses que voltariam a brigar com FIFA pelo topo, a “década PS2” não só encerrou as dúvidas como discutiu se o jogo da EA Sports, por sua vez, seria capaz de resgatar sua tradição e rebater o ataque konamista. Por sua vez, foi também uma espécie de “fim” para qualquer outra investida no gênero futebol nos games, visto o fracasso de todas as outras produções.

Printscreen de FIFA 2005, para PS2

No mercado

O Playstation 2 chegou aos mercados japoneses em 4 de março de 2000, quando o Dreamcast parecia começar a engrenar. No entanto, o aparelho da Sega teve uma receptividade tão lenta, e a Nintendo “enrolou” tanto com o GameCube (que passou tempos sendo chamado de Dolphin), que a expectativa pelo novo console da Sony ficou imensa.

Grande sucesso no fim da década de 90, o Playstation 1 já havia provocado o surgimento de muitas franquias de sucesso, como Metal Gear Solid, Rayman, Final Fantasy, além, claro, de Pro Evolution Soccer. Bastou levar os títulos para novas versões, muito mais bonitas e com mais desafios, para que a procura pelo aparelho estourasse ao redor do mundo.

Além de expandir séries conhecidas — já se falará do boom de PES no console —, o PS2 criou novos blockbusters, como Devil May Cry, Kingdom Hearts e God of War. Foi também no aparelho que o idolatrado Guitar Hero surgiu e fez acachapante sucesso. Mas o maior destaque foi mesmo Grand Theft Auto (GTA) San Andreas, que ultrapassou as 17 milhões de cópias vendidas.

O PS2 é o videogame mais vendido de todos os tempos, com mais de 140 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, e aproximadamente 1.600 jogos lançados. Curiosamente, mesmo uma geração atrás, quem tem o console ainda verá títulos novos neste ano. Tudo porque o aparelho, antes altamente caro, tornou-se “popular”, e o incrível: os softwares ainda vendem!

Muito disso se dá em virtude do grande custo — e não se fala somente em nível de Brasil — com o qual os videogames next-gen foram lançados. Além disso, a crise mundial pode ter influenciado relativamente pouco na indústria de games, mas influiu em vendas abaixo do esperado. Tanto que Microsoft, Sony e Nintendo acabaram reduzindo os custos de seus consoles. E quem já tinha um PS2, não necessariamente embarcou em uma nova aquisição: conteve-se e seguiu dando boas vendagens aos jogos do aparelho.

Na bola

A rivalidade entre Konami e EA Sports, no PS1, já estava com o pêndulo do mercado se aproximando dos japoneses. Apesar das licenças e da maior variedade de opções, FIFA apresentava, no aparelho, gráficos fracos e uma jogabilidade difícil, enquanto o antecessor de PES, International SuperStar Soccer Pro Evolution, o tradicional Winning Eleven, já se destacava nos pontos fracos do rival.

A Konami dominou o mercado de games futebolísticos com PES na era PS2

A era PS2 foi a que levou o jogo da Konami a seu maior momento. Mesmo com nenhuma das equipes sendo licenciada na primeira versão de PES para o console, a beleza visual, a sonoridade e uma jogabilidade mais sensível, porém fácil e mais próxima da perfeição na simulação de um game futebolístico na época, arrebataram o público.

Ano após ano, a franquia aprimorou-se graficamente e em sua base de dados, adquirindo licenças inéditas, aprimorando o que foi uma de suas maiores criações (Master League) e alcançando tal patamar que outros consoles, além dos PCs, também ganharam versões do game, “revelado” no PS2. E quando pessoas da própria EA admitem que o jogo dominou a geração passada no futebol, não há muita dúvida da força que o game da Konami ganhou no aparelho da Sony.

FIFA, por sua vez, teve avanços pouco destacáveis, e embora mantivesse seu público mais cativo, principalmente no Reino Unido, viu, especialmente quando PES começou a obter licenças, o avanço forte do jogo japonês no continente onde dominavam. Tentou-se copiar muitos detalhes do game que marcou o PS2, como a barra de força do chute e mesmo a disposição dos botões. Mas a emenda saiu pior que o soneto, e a mecânica, principal problema, seguia ruim.

Enquanto PES e FIFA brigavam pelo posto de melhor game futebolístico, outros jogos até chegaram a surgir, mas a rivalidade iniciada na era PS1 era tão grande que monopolizou as atenções. Poucos se lembram, por exemplo, que a série This Is Football, que surgiu na primeira geração da Sony, ganhou jogos até 2005. Mas as vendas não colaboraram, nem a mídia, e nem os jogadores, que se apegavam a seus “favoritos” com forte apreço, ignorando qualquer eventual teste.

Esse também acabou sendo um reflexo no cenário do futebol virtual presenciado no Playstation 2. Se no passado, até pela menor exigência de programação, havia diversos tipos e modos de games do desporto bretão, a era PS2, com obrigações claras com jogabilidade e beleza visual, limitou eventuais “aventureiros”, deixando as opções restritas a apenas dois: FIFA ou PES.

Não dá para desatrelar a história do Playstation 2 dos games de futebol. É nele que surgiu o maior rival do antes imbatível FIFA. É ele que se notabilizaria como o “videogame do povão”, e que, especialmente para nós, brasileiros, acabaria aproximando (ainda que com a pirataria, deve-se confessar) o game propriamente dito de muita gente, seja em lan houses, seja em casas de amigos.

A era PS2 está chegando ao fim, e, no caso do futebol, chegará pouco antes da Copa, com 2010 FIFA World Cup, dito como o último game do gênero a ser lançado para o console. (Obs.: Até a publicação deste artigo, o game da Copa fora anunciado para PS2, mas a EA acabou não desenvolvendo a versão para o console) Para fãs e saudosistas, um jogo que tem tudo para se tornar uma verdadeira relíquia, uma lembrança final do que é, ao menos nos números, o maior videogame de todos os tempos.





PES 2011 x FIFA 11 – Direto da E3

24 06 2010

Só para aguçar o interesse dos internautas, confiram abaixo os vídeos apresentados na E3 dos dois principais jogos de futebol que serão lançados nesse ano: Pro Evolution Soccer 2011 e FIFA 11. E dessa vez, vale uma atenção especial ao game da Konami. Enfim, os fãs sul-americanos foram lembrados, e a Copa Libertadores da América foi oficializada no jogo. É a primeira vez que a principal competição da América do Sul será licenciada dessa forma em um console (Adidas Power Soccer 2 contou com uma espécie de Libertadores, mas muito mal produzida, diga-se de passagem, além de não-oficial). No próximo post, aliás, a inclusão da Libertadores em PES 2011 será tema de uma reflexão.

PRO EVOLUTION SOCCER 2011

FIFA 11