Brasil no PES 2011: Internacional

24 08 2010

Postado originalmente em Trivela.com.br

Brasil no PES 2011 – Internacional
Postado em 22/8/2010 às 11:20 por Lincoln Chaves

Internacional ganhará companhia de Corinthians, Flamengo, São Paulo e Cruzeiro no PES 2011. Foto: Reprodução/Internacional.com.br

A presença de clubes brasileiros nos games futebolísticos de Konami e Eletronic Arts nunca foi das mais destacáveis, como inclusive já se mostrou nesta coluna. Do lado da empresa japonesa, raras foram as vezes que times do país foram lembrados (Palmeiras, Vasco e São Paulo foram essas raridades, mas sem efetivamente serem licenciados), só a partir de 2008 é que o Brasil ganhou um representante (sim, apenas um) mais ativo na franquia. A EA Sports até mantém, há tempos, a liga brasileira, mas sem maiores destaques – basta lembrar das imperfeições em jogadores e equipes especialmente nas primeiras versões, ou do pífio Brasileirão do FIFA 99, com apenas oito times.

No Brasil, percebe-se, essa realidade acabou fazendo bastante falta. Notadamente, o game de futebol mais popular do País é o Pro Evolution Soccer. Levantamento da NC Games, principal distribuidora brasileira, colocou a edição 2010 do game – lançada nos últimos meses do ano – como a campeã de vendas em 2009 no Brasil, seguida justamente da versão 2009 de PES. E os índices poderiam até ser mais significativos, não fosse a sabida pirataria, que leva muitos jogadores a adquirirem não o Pro Evolution usual, mas o Pro Evolution “Campeonato Paulista”, ou “Campeonato Brasileiro”. Versões inexistentes, mas que deixam claro: o público brasileiro gostaria muito de ver clubes daqui licenciados na franquia que mais vende por aqui.

Assim, PES 2011 com a presença da Copa Libertadores da América acaba surgindo como o que pode ser um marco para uma participação mais ativa do futebol brasileiro em um dos gêneros de games mais populares no País. Afinal, nada menos que os cinco participantes brasileiros na principal competição sul-americana estarão devidamente licenciados no jogo. Por isso, a coluna vai, nesta e nas próximas semanas, buscar conversar com representantes dos departamentos de franquias e/ou marketing dos clubes para ouvir deles como se deu o processo de licenciamento, quais as pretensões, o que se esperar sob a ótica do retorno de marketing e o combate à pirataria.

Para começar, nada mais justo do que o Internacional, pioneiro nos licenciamentos para a franquia, estando em PES desde a edição 2008 (lançada em 2007, um ano após o Colorado sagrar-se campeão do mundo). E se até PES 2010 era, teoricamente, “mais um” dos clubes presentes na seção “Outras Ligas”, entra na edição 2011 como uma das grandes potências da Libertadores, “bombeado” pelo bicampeonato conquistado na quarta-feira, contra o Chivas.

O colunista conversou, por e-mail, com o gerente de Marcas e Franquias do Inter, Rafael Saling. Em respostas sucintas, mas interessantes, Sailing destacou o pioneirismo do time do Beira Rio na franquia, esclareceu a ausência “oficial” do clube no FIFA e deixou no ar a possibilidade de o estádio colorado surgir em uma versão futura do game. Confiram:

Como se deu a primeira participação do Internacional na franquia PES? De quem partiu a procura (se da Konami ou do próprio Inter), o que motivou essa procura e como se deu o processo de licenciamento do clube e dos jogadores?

Após a conquista do Mundial de Clubes de 2006, a Konami procurou o Sport Club Internacional com o intuito de convidá-lo a participar do PES. O Inter possui o direito à utilização de imagem dos seus jogadores, e através disto entramos em negociação e desenvolvemos o produto (layout das camisetas, jogadores, etc.).

A ligação do Inter com a franquia se manteve desde então, permanecendo até hoje. O que motivou a continuidade da participação colorada no game?

Do lado da Konami, pela sequencia de conquistas do Inter desde 2006, tornando-se o “Campeão de Tudo”. E do lado do Inter, pela exposição da marca em nível mundial e também por ser o game mais jogado do mundo. (NR.: Na verdade, PES ainda está atrás de FIFA nas vendagens mundiais, mas lidera no Brasil).

Do primeiro licenciamento em diante, houve mudanças no que diz respeito ao próprio formato do licenciamento? Pergunto baseado até na própria melhora visual e até técnica do time simulado no game.

Com certeza, passou-se a cada vez mais valorizar os detalhes do uniforme, os traços dos jogadores e também todos os cenários do game.

O clube, de alguma forma, trabalha o Pro Evolution como um de seus produtos licenciados em suas lojas, ou o divulga em ações de marketing? Por quê?

Sim, divulga nas ações de marketing que promove usualmente, pois durante um tempo foi único clube brasileiros a estar no Pro Evolution, e isso, para nós, era motivo de vanguarda.

De lá para cá, qual foi o retorno que o Internacional teve, tanto no referente à exposição da marca fora do Brasil como no retorno financeiro por aqui, até tendo em vista o conhecido rival que é a pirataria dos games?

No que diz respeito ao retorno financeiro versus a exposição mundial da marca do clube, julgamos (o retorno) muito satisfatório. Mas isso tendo em vista que o Inter era o único clube brasileiro a estar no Pro Evolution. Acerca da pirataria, acreditamos que isso cabe a indústria (de games) combater, com instrumentos legais e tecnológicos, em virtude de ser um produto único, num segmento específico. A exposição da marca Inter não chega a estar em primeiro plano, mas de qualquer forma, o retorno que temos com o nosso licenciado é muito satisfatório.

O Internacional não é um dos clubes licenciados no FIFA há um tempo. O que levou a equipe a optar pela franquia Pro Evolution e ser reproduzida somente como “I.Porto Alegre” no game da Eletronic Arts?

Primeiro pelo Inter ser o único clube brasileiro a estar no Pro Evolution e este ser o game mais jogado no mundo, e segundo pelas negociações com o game da FIFA, que ficaram muito abaixo das negociações com o Pro Evolution.

A chegada da Libertadores ao PES 2011 tende a impactar, de alguma forma, ainda mais as expectativas de exposição de marca do Inter? Vale lembrar que no vídeo de apresentação do PES 2011, na principal feira de games do ocidente, a E3, Internacional e Corinthians foram os primeiros times a surgir na tela, anunciando a Libertadores no game…

Isso justifica o momento dos clubes brasileiros que está bom, com mudanças significativas do jeito de pensar o negócio futebol, ganhando credibilidade, e também o retorno que há em se estar neste game fantástico.

Pelos resultados vistos, acredita que a mídia videogame já é uma ferramenta interessante a ser mais bem observada pelos clubes brasileiros? E essa presença oficial da Libertadores, que, espera-se, deve ser mantida para os próximos anos, pode aproximar os clubes dos benefícios de participar dessa indústria?

Com certeza. Os clubes que estiverem em evidência vão destacar suas marcas no cenário mundial e estarão junto nos games mais jogados do mundo. Para isso, necessitam de performance em campo, com vitórias e participação em grandes competições.

Um dos grandes empecilhos para a aquisição de produtos originais, em todos os segmentos e em especial nos games, é a pirataria. O que o clube faz para “concorrer” com essa complicada indústria da pirataria?

O Inter possui uma parceria com um escritório especializado de combate à pirataria. Além deste escritório, o clube investe em campanhas de conscientização para inibir a compra de produtos piratas. Estimamos hoje que cerca de 25% da receita anual de licenciamentos do Clube está nas mãos dos produtos piratas. Esta realidade já foi pior.

Há hoje em voga um projeto que visa a redução dos impostos para games, o Jogo Justo (www.jogojusto.com.br). Não sei se já havia tomado conhecimento deste, mas acredita que os clubes brasileiros, apoiando o projeto, tendo até em vista o poder mobilizador do futebol e o próprio mercado de consumidores de games do gênero no Brasil, poderiam ser diferenciais?

Sem dúvida, assim como outros segmentos de consumo que são muito visados por produtos piratas, temos que tentar de alguma forma inibir a proliferação destes produtos. Com a redução de impostos, com certeza este e outros setores terão uma impulsão nas suas vendas. Prova disso foi a redução do IPI para automóveis e produtos industrializados (eletrodomésticos) que pudemos observar.

Para finalizar, houve uma especulação de que em próximas versões, o Beira Rio seria um dos estádios licenciados. Houve realmente essa discussão?

É possível, mas isso poderá ser uma surpresa para as próximas versões!

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PES 2011: Los grandes equipos

26 07 2010

Como prometido no tópico anterior, segue a coluna publicada no último domingo (25) na Trivela. O tema é a já comentada chegada da Copa Libertadores ao Pro Evolution Soccer 2011, e desejou-se abordar os impactos que esta vinda podem trazer, tanto no que diz respeito à continuidade do torneio na franquia, como às possibilidades para que os clubes brasileiros entrem de vez no universo dos games futebolísticos, inclusive com o incentivo ao consumo dos jogos originais.

Claro que para que essa possibilidade cresça, são necessários alguns projetos “extracampo”, por assim dizer. Caso do Jogo Justo, do administrador e “fanático” por games Moacyr Alves Júnior. O blogueiro está em contato com o responsável pelo Jogo Justo para realizar uma entrevista, abordando o projeto como um todo e, naturalmente, “puxando a sardinha” para o mote desportivo-virtual desde blog. Os pontos mais relevantes, inclusive, serão tema de mais uma coluna na Trivela. E a entrevista será publicada na íntegra aqui no Esporte Clube 8-Bit.

Olha só quem está chegando ao PES... Foto: Reprodução

Los grandes equipos… 
Postado em 25/7/2010 às 10:54 por Lincoln Chaves

Libertadores é uma das opções no jogoA Electronic Entertainment Expo (E3) é o maior evento de games do Ocidente. Realizada anualmente nos Estados Unidos, proporciona aos profissionais da área aquele que será o primeiro contato com alguns dos principais lançamentos, não só dos jogos em si, mas das novas tecnologias para os consoles. Dessa vez, por exemplo, a mais badalada inovação partiu da Microsoft, com seu Kinetic, antes nomeado de “Project Natal”, seguindo, em partes, a linha do Nintendo Wii em não utilizar os joysticks como conhecemos, mas com um diferencial: dessa vez, bastarão movimentos com a mão, captados por sensores, e até comandos de voz.

Mas o que realmente interessa, pelo menos nesta coluna, é o futebol. E os fãs do desporto bretão, principalmente os sul-americanos, têm o que comemorar. Na apresentação do trailer de Pro Evolution Soccer 2011, da Konami, surpresa após 1‘50‘’ de vídeo, quando a desejada taça da Copa Libertadores da América surge na tela. Sim, pela primeira vez, a competição será oficialmente licenciada em um game. E dos 30 licenciados que se tem notícia até o momento, quatro dos cinco brasileiros – Corinthians, Cruzeiro, Internacional (esses três apareceram inclusive no trailer) e Flamengo. Ainda não há confirmação de uma participação oficial do São Paulo.

É fato que na segunda versão de Adidas Power Soccer, havia uma “espécie” de Libertadores, contando até com Grêmio e Cruzeiro, mas bastante mal produzida. Também é verdade que, com a valorização quase que única – e com algumas razões – da Liga dos Campeões e dos clubes europeus, surgiram diversos PES pirateados e modificados, com as equipes da competição sul-americana substituindo times menos expressivos e com os uniformes impecavelmente idênticos aos originais. Tudo isso, porém, não reduz o que pode representar a chegada da Konami de vez ao mercado da América do Sul.

É importante lembrar, por exemplo, que a representatividade do consumo brasileiro – e do continente como um todo – de games aos olhos da indústria internacional é ínfima, devido à prioridade dada aos jogos piratas de R$ 15,00, que acabam mais acessíveis que os originais de R$ 150,00. Ponderar também que o grande público de games futebolístico é mesmo o europeu, não apenas pelo poderio financeiro dos compradores, mas até pelos clubes que lá estão. Dessa forma, é possível questionar: o que a Konami quer por essas bandas, e o principal: como aproveitar isso?

Sabe-se que mesmo longe do impacto da Liga dos Campeões, a Libertadores possui credibilidade internacional. É alvo de transmissões televisivas em 135 países (inclusive Europa) e possui grande apelo na América Latina como um todo. Números de 2008, comparados a quatro anos anteriores, mostraram um crescimento em 350% na venda dos direitos de transmissão do torneio. O advento do México, que mesmo não sendo sul-americano, trouxe mais força do ponto de vista clubístico e financeiro, ampliou a audiência – e aí vale um comentário referente à indústria de games, já que a mais forte do continente americano, excetuando-se Estados Unidos e Canadá, é justamente o México.

À bem da verdade, não se acredita, especialmente após a FIFA passar a organizar um Mundial de Clubes envolvendo todas as suas confederações, que a Libertadores ficaria de fora por muito tempo de ser lembrada em um game. Pode-se dizer até que chegou antes do esperado, já que, como dito, o mercado de compradores de jogos na América Latina ainda é muito incipiente se comparado ao europeu. No Brasil, por exemplo, a Sony ainda não se estabeleceu totalmente, e mesmo com o Xbox 360 sendo produzido aqui, ainda se trata de um console caro. Até por isso, o momento não pode passar despercebido.

Corinthians e Internacional serão algumas das atrações de PES 2011. Foto: Reprodução

Oportunidade

Seria utópico imaginar que a vinda da Libertadores para os games, de forma oficial, pode ser benéfica para a própria indústria brasileira, e até para os clubes? Talvez, mas o cenário é interessante, especialmente em um momento que o marketing é tão badalado na estrutura das equipes do país. Usar os games como ferramenta de exposição de marca e de conceito não é novidade, como a coluna já mostrou com o Bola Social Soccer, desenvolvido para as redes sociais Orkut e Facebook. Mas ainda é um universo pouco explorado no futebol brasileiro, até com alguma razão.

No entanto, a presença oficial já confirmada de equipes como Corinthians, Flamengo Cruzeiro e Internacional não pode ser ignorada. Não que um jogo de videogame possa ser alvo de uma enorme campanha publicitária ou algo do tipo, mas trata-se de um produto que levará o nome da equipe para o exterior – e com um destaque bem maior do que o existente na série FIFA, onde a liga brasileira é apenas “mais uma”, enquanto em PES 2011 estes serão selecionáveis. Sem contar que, por estarem entre os mais fortes, fatalmente serão os visados pelos novatos.

Por aqui, o game da Konami se torna, em moldes semelhantes ao que o gerente de operações de produtos da FOX no Brasil, Miguel Dorneles, havia comentado há alguns meses na coluna sobre o Bola Social, uma “solução diferenciada” na divulgação da marca (no caso, do clube) e numa associação dela com “inovação”. Seria “moderno” apostar nos games, por assim dizer. Interessante, então que os envolvidos incentivem não apenas a aquisição do jogo (“leve a equipe do coração ao título máximo da América“, etc…), mas que esta se dê pelo produto original, podendo ser vendido nas próprias lojas.

Não é simples, é verdade. Primeiramente porque, como já dito, os grandes videogames de hoje ainda não são totalmente acessíveis. Só o agora já velho Playstation 2 – que, contra todas as expectativas e anúncios, deverá receber uma versão de PES 2011 – parece estar mais palpável. Segundo, porque os preços são realmente um grande empecilho, pelo menos até o projeto de lei 300/07 – sobre a redução de impostos para compra de jogos e consoles – caminhar em Brasília. No entanto, trata-se de um cenário em que o futebol e a indústria de games podem caminhar juntos. Inclusive para uma eventual participação em um projeto que tem ganhado força nos bastidores, o Jogo Justo.

O Cruzeiro é outro brasileiro presente no novo game da Konami. Foto: Reprodução

Apesar de os jogos do gênero não dominarem o mercado internacional, estes são fortes por aqui, notadamente pela enorme força do esporte bretão no Brasil. Crianças, jovens e adultos e até de diferentes classes sociais podem não conhecem Halo ou Metar Gear Solid, mas sabem todas as “manhas” de PES. Daí a crer que todos consumam produtos originais é exagero, claro. Por sua vez, é possível interpretar que motivados pela atual corrente de incentivo à aquisição de artigos licenciados dos clubes do coração – em especial, Corinthians e Flamengo, donos das maiores torcidas do país -, haja uma probabilidade interessante de parcela razoável aderir aos jogos “legais”.

O sucesso de uma maior compra de PES originais por aqui não será despercebido pela Konami. Já há um tempo os japoneses observam atentamente a América do Sul, e em especial o Brasil. Organizam torneios por aqui, encaminharam questionários para conhecer as preferências dos brasileiros. Para os gamers, é mais um passo rumo ao surgimento de um Campeonato Brasileiro no jogo, com a renovação de licenças que “vêm dando certo“ e a oportunidade de estas se expandirem. Já para os clubes, aparece mais uma possibilidade de exposição virtual da marca, além do licenciamento de um produto de grande apelo, que transcende fronteiras.

Um passo é sempre um passo, por mais singelo que possa ser. E o futebol, como este colunista já comentou há alguns meses, pode não somente conhecer melhor a ferramenta videogame e observar como seu alcance pode ser útil nos negócios, como de quebra ser aliado importante para, com a força natural que este esporte tem, sob a ótica política e popular, dar sua “parcela de contribuição” para um grande boom dos games por aqui. Todos podem acabar se ajudando.