The Chaaaaampions…

24 09 2010

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

Games exclusivos da Liga dos Campeões nunca estouraram, mas série se mantém firme atualmente dentro do PES. Foto: Reprodução

The Chaaaaampions…
Postado em 19/9/2010 às 9:12 por Lincoln Chaves

“Die Meister, Die Besten, Les grandes équipes, The chaaaaaampions”. Não há um fanático por futebol que se preze que não sinta ao menos um leve arrepio ao ouvir o cântico, talvez, mais tradicional do desporto bretão, que encabeça a Liga dos Campeões da UEFA. Torneio esse que, tanto por sua representatividade como pela lógica necessidade da indústria de games em buscar aproximar o público da experiência mais “real” possível, não poderia ficar de fora do universo dos jogos eletrônicos.

Curiosamente, a Champions League demorou a emplacar – e ainda hoje é difícil afirmar que ela, sozinha, emplacou – no mundo virtual. Isso porque jogos anteriores referentes exclusivamente à Liga não tinham uma certa regularidade no mercado. Algo curioso, já que se por um lado trata-se de um título especificamente referente a uma competição, por outro os games de Copa do Mundo sempre ganhavam destaque e traziam bons retornos à EA Sports.

Oficialmente, a LC foi licenciada para quatro produtoras. A primeira delas foi a Krisalis, que já possuía uma considerável experiência em games de futebol (European Club Soccer, FA Premier League Football Manager e SoccerKid) que em 1996 lançou o primeiro jogo oficial do torneio europeu: UEFA Champions League 1996/97, para MS-DOS. O game contava com os 16 times que disputaram o torneio, reproduções dos estádios oficiais e mais 32 seleções.

Os gráficos em 3D eram até interessantes para a época, tendo em vista o claro processo de evolução dessa tecnologia na ocasião, mas chamava atenção a reprodução dos estádios, inclusive com as devidas propagandas ao redor do campo, e a tentativa de deixar o uniforme das equipes minimamente semelhante aos do período. Os jogadores se assemelhavam aos de FIFA – não eram muito grandes -, e a mecânica não era das mais rebuscadas, com os controles básicos e uma resposta aceitável.

A Krisalis até ganhou força para produzir uma continuação (UCL 1997/98), mas promoveu pouquíssimas mudanças no game. E para a temporada 1998/99, a UEFA resolveu mudar de produtora, partindo para a Silicon Dreams, outra empresa com tradição em games de esportes – foi dela, por exemplo, o Sega Worldwide Soccer, jogo que já foi discorrido nesta coluna, ainda que também tenha feito bombas como o esquisito Olympic Soccer, referente aos Jogos de Atlanta, em 1996.

A SC produziu os jogos da UCL até a edição 2001/02, com três edições lançadas para PC, duas para Playstation e uma para Playstation 2. As duas primeiras tiveram como publisher a já famosa Eidos Interactive (a mesma de Championship Manager), enquanto as últimas contaram com o “dedo” da Take-Two Interactive (a mesma que tentou comprar a Electronic Arts há alguns anos e produziu GTA). Todos, no entanto, foram lançados essencialmente ao mercado europeu.

De todas, a última versão (2001/02) foi a que acabou ganhando mais destaque, principalmente por contar não somente com os 32 times que alcançaram a fase de grupos, mas por possuir mais 46 equipes históricas e campeãs do torneio. Tudo bem, não era nada de outro mundo, já que FIFA 2000 já resgatava alguns clubes antigos (o Santos de Pelé, por exemplo) e permitia o embate com outros. Mas nunca é nada mal colocar, por exemplo, o Benfica de Eusébio contra o Real de Raul, não é?

Curiosamente, após a boa edição 2001/02, um game da Liga dos Campeões só voltaria a ser produzido na temporada 2004/05. A ausência se explica pela aquisição, por parte da Electronic Arts, dos direitos junto à UEFA, em 2002. Como a produção de um game da competição ainda não estava nos planos da EA, a principal competição de clubes do planeta acabou se ausentando dos games, ainda que, no fundo, esta ausência “oficial” não fosse muito sentida.

“Como não?”, podem perguntar alguns. É que se no passado o comum era mesmo reunir as seleções do mundo, devido às dificuldades em se licenciar clubes, o cenário mudou nesta década, e equipes principalmente européias passaram a ser encontradas com alguma regularidade em jogos de futebol, cada vez mais adeptos ao confronto entre equipes. E se a Liga dos Campeões não existia “oficialmente”, era acabava surgindo com nomes aleatórios (e aí, vale uma referência ao FIFA 99, onde a hoje Liga Europa era chamada – inclusive pelos narradores – de Troféu EFA. Bizarro, não?)

Mas o hino da Champions voltou a ser lembrado nos games em 2004, com o lançamento de UEFA Champions League 2004/05. No fundo, era um FIFA 05 com uma carroceria nova, mas que para a história da franquia, já significava muita coisa. O jogo não contava somente com equipes presentes na LC, mas também tinha times licenciados das principais ligas européias. Chamou atenção também os cenários que iam sendo abertos à medida que o jogador conquistasse determinados objetivos (títulos, vitórias por determinada diferença, etc.). Havia até uma espécie de modo “futebol de praia”.

A EA seguiu com as produções na temporada 2006/07, quando lançou o último game sob sua responsabilidade – e o último lançado exclusivamente sobre a competição. Mais uma vez, destaque para as missões in-game que devem ser cumpridas para que se obtenham pontos que podem ser trocados, no game, por jogadores (para que se forme um verdadeiro esquadrão), bolas, uniformes, etc. Notadamente, uma busca da Electronic Arts de tentar diferenciar, ao menos um pouco, o jogo do FIFA 07, real “carcaça” do jogo.

Em 2008, porém, a UEFA mudou radicalmente de universo nos games: trocou a EA pela Konami, que desde a edição 2009 de Pro Evolution Soccer, conta com a Liga dos Campeões licenciada oficialmente dentro do jogo. Por um lado, pode-se até questionar a decisão de se encaixar a competição como uma no meio de outras tantas (ainda que esteja como o principal carro-chefe do game) e sem inovações tão badaladas em seu formato.

Por outro, todavia, uma breve leitura em fóruns especializados mostra que a receptividade da UCL no PES foi bastante boa, tanto que na edição 2010 do game da Konami, até mesmo a Liga Europa foi licenciada. Além disso, nota-se que houve a percepção de que competição com rivais de mercado já altamente consagrados como PES e FIFA (que, naturalmente, é a menina dos olhos da EA quando o assunto é futebol) era algo realmente complicado.

E é aquela história: se não pode vencê-los, junte-se a eles. Como a EA já estava com a FIFA, no fundo não estranhou a Konami assumir a Liga dos Campeões, especialmente pela incessante busca da companhia japonesa em tentar recuperar força no mercado europeu. Resta saber se a própria Eurocopa, que desde 2000 tem games encabeçados pela EA Sports, também passará para a Konami, ou se a experiência da EA nesse ramo ainda será levada em consideração.