FIFA x PES: Teremos segundo turno

4 10 2010

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

As novas versões FIFA e Pro Evolution Soccer deixaram impressões bem positivas em suas DEMOs. Foto: Reprodução

Teremos segundo turno
Postado em 3/10/2010 às 12:11 por Lincoln Chaves

Já que estamos em clima de eleições, pode-se dizer que após uma análise inicial do que proporcionam FIFA 11 e Pro Evolution Soccer 2011 por intermédio de suas versões DEMO, teremos segundo turno na eterna eleição de “melhor game de futebol do momento”. Claro, não se pode tirar muitas conclusões a partir das opções que as demonstrações oficiais dos jogos deixam disponíveis para os jogadores. Até porque o foco maior destas é que o usuário possa ver melhor o que o espera no ato de jogar propriamente dito – leia-se jogabilidade, gráficos, etc.

No entanto, as DEMOs de ambos permitem um panorama inicial, e este é de que FIFA ainda se coloca um pouco à frente de PES, ainda que ambos tenham mostrado evoluções muito sensíveis e que o game da Konami tenha voltado de vez à bater de frente com o da EA Sports, diferentemente do que ocorrera nos últimos anos, quando, mesmo em evolução, a franquia japonesa ainda não havia “acertado a mão” na era next-gen. O segundo turno dessa eleição? Será mesmo conhecido nas próximas semanas, já que neste dia 5 PES 2011 chega oficialmente às lojas (FIFA 11 está no mercado desde o último dia 28).

Indo por partes, comecemos com a impressão visual. FIFA melhorou bastante o traçado dos jogadores e ampliou a gama aparências reproduzidas – ou seja, aquelas que são moldadas às características de determinados atletas, e que acabam sendo uma base para a formação dos demais. Os estádios também ganharam mais detalhes, bem como as torcidas, que não só estão melhor desenhadas como mais “animadas”. O redor do campo foi aprimorado e movimentado, aumentando a sensação de “presença” no jogo. PES também mostrou considerável evolução no campo visual tal qual FIFA, mas na visão deste colunista, poderia ter mais “vida” nos arredores do campo.

Sob a perspectiva da dificuldade, pode-se dizer que há um empate técnico, talvez pendendo um pouco, novamente, ao jogo da EA Sports. Em ambos, a marcação e a inteligência artificial foram aprimoradas. Até os goleiros de FIFA, sempre criticados por suas “mãos-de-alface”, estão mais exigentes e espertos. Em PES, por sua vez, a primeira impressão é a de que a Konami teve sucesso em corrigir as saídas bizonhas que alguns defensores faziam, por vezes facilitando contra-ataques. Ainda é difícil afirmar se os japoneses “maneiraram” com a abertura para jogadas “manjadas”, como o avanço pelas pontas e o chute cruzado, mas é notório que PES ganhou um tom mais desafiador.

Já a jogabilidade é um capítulo a parte, e embora, como em anos anteriores, PES tenha-a como mais fácil e controlável, FIFA deu um passo bastante consistente em sua mecânica. O game da Konami está bastante “manipulável”, com controles leves e que permitem a quem está no comando mudar o movimento do jogador com maior precisão. O contato com os botões está mais sensível e determinante. Ou seja: não bastará apenas apertar o botão do passe, mas o jogador deverá controlar a intensidade do toque e apontar a direção. Algo que fatalmente exigirá mais habilidade de quem está com o joystick na mão, e aprimora a já famosa jogabilidade da franquia.

FIFA, por sua vez, conseguiu dar para sua versão 2011 uma mecânica diferenciada, quebrando paradigmas de ser um game por vezes mais “duro”, “rígido”, que PES. Além disso, o jogo ganhou uma cadência maior, sem aquela velocidade às vezes até sufocante, e se tornou mais palpável até mesmo para aqueles mais adeptos do PES, que ainda tentam criar coragem para se aventurar no game da EA Sports. Com isso, tornou-se mais possível o usuário tramar alguma jogada diferente, especialmente quando conta com um Lampard ou um Essien na equipe. Diferente de antes, quando por vezes os jogadores precisavam ser mais rápidos do que efetivamente habilidosos com o joystick.

Pelo conjunto da obra, FIFA ainda fica alguns passos à frente. Segue superado na jogabilidade por PES, mas evoluiu-a de forma bem significativa e mostra ter tornado a experiência de jogo não só mais realística, mas “gostosa”, leve. Quanto a outros aspectos, conta com uma melhor ambientação da partida, no tocante ao clima e às animações extra campo, por exemplo. Registrou também gráficos sensivelmente mais detalhados. Por sua vez, o game da Konami evoluiu muito em todos os aspectos, visivelmente em sua inteligência artificial, na movimentação dos jogadores e em seu visual.

No entanto, PES está ainda com muito de suas cartas na manga escondidas. Na DEMO, por exemplo, podia-se jogar somente um amistoso entre Barcelona e Bayern Munique, e outro, já válido para o modo Libertadores, entre Internacional e Chivas Guadalajara. E após as partidas, era lançado um longo vídeo com as inovações do game, destacando-se um desenvolvimento enorme do modo de edição, com a possibilidade do jogador mexer de formas até extravagantes no estádio e no céu. Serão introduzidas também novas (e estranhas) faces para os jogadores, como uma cabeça de abóbora e um capacete medieval. Haverá até a possibilidade de se jogar com uma espécie de bola de meia.

A incógnita que reserva o extra-game de PES é o que torna ainda impossível determinar se FIFA seguirá à frente ou se perderá a batalha de 2011 pelo topo. É provável até que, pelo apresentado no ambiente de jogo propriamente dito, siga à frente. Mas é notório que a Konami tem voltado a acertar a mão com Pro Evolution, ressuscitando uma rivalidade que desde o início da era next-gen parecia uma balança que pendia por demais para um dos lados. O equilíbrio e a busca por novidades maiores, em ambos os lados, é o sinal disso, e quem ganha somos nós, jogadores e fãs do futebol, no campo e virtual.





Primeira impressão: PES 2011

2 10 2010

Veron contra Ronaldo é um dos duelos que PES 2011 proporcionará a partir de 5 de outubro. Foto: Divulgação

A franquia Pro Evolution Soccer perdeu grande espaço para FIFA com a chegada dos consoles next-gen. Tudo bem, trata-se de que já foi comentado e falado, e muito porque houve uma certa “inércia”, uma dificuldade em se detectar o que vinha dando errado até mais ou menos 2008. De 2009 em diante, o cenário começou a melhorar. Em 2010, a Konami começou a ouvir mais atentamente a seus jogadores mais assíduos e tentar entender melhor como e onde mexer. Eis que para 2011, após mais uma série de análises, reflexões e opiniões de fanáticos pela série, a sensação que fica após se jogar a versão DEMO de PES é de que os japoneses enfim estão voltando a acertar o caminho, e pelo menos nesse primeiro contato, demonstram ter conseguido uma evolução bastante considerável em relação a PES 2010. E talvez o principal: sem perder a linha aquele já conhecido aspecto da diversão, tão constante na franquia.

A DEMO não proporciona muitas opções de jogo, o que até é natural. Basicamente, o jogador pode fazer um amistoso entre Barcelona e Bayern Munique ou estrear a famigerada e aguardada Copa Libertadores, comandando o Internacional ou o Chivas Guadalajara. E logo de cara, os gráficos já chamam atenção por estarem bem mais detalhados que na edição anterior do game. As expressões dos jogadores foram melhor trabalhadas e uma variedade maior de atletas – isso é visível – foi observada para que se pudessem ser traçadas as novas faces. Nomes como Messi, Iniesta ou Ibrahimovic estão realmente fiéis, e mesmo aqueles que não foram efetivamente reproduzidos ganharam combinações que se aproximam muito do que realmente são. Sentiu-se falta, talvez, de uma maior gama de detalhes fora das quatro linhas – tal qual no PES 2010 -, por vezes dando uma sensação de que o jogo está distante das arquibancadas. Talvez uma “animação” maior às torcidas fosse uma boa. Por sua vez, a movimentação dos jogadores ganhou a prometida variação – que faltou em 2010 -, com dribles próprios de determinados atletas.

Cheguemos então à jogabilidade, maior carro-chefe de Pro Evo. E esta está muito evoluída, dando grande controle ao usuário. Os controles estão mais leves, permitindo maior domínio do jogador e facilitando, portanto, a ação de dribles e jogadas de mais efeito, algo que já era um ponto de destaque antigo em PES. Por sua vez, a inteligência artificial parece bem melhorada, apertando bastante a marcação – por vezes com pelo menos dois defensores em cima do atacante que mantém a posse de bola. O que parece natural, já que as condições de controle se colocam como mais propícias aos jogadores. Essa busca em dar ainda mais “poder” a quem está com o joystick na mão trouxe efeitos também na potência e na direção de chutes ou passes. A bola não segue órbitas exageradas como historicamente em FIFA, mas pode fazê-lo caso o jogador não controle a força com a qual fará um lançamento ou mesmo um passe em profundidade. É algo positivo, e que demandará mais habilidade do controlador, já que no primeiro momento, os toques iniciais isolarão algumas bolas.

Prova disso é que, na partida amistosa jogada pelo blogueiro, em vários momentos, craques como Iniesta e Xavi pecaram em lances mais plásticos. Tanto pela maior inteligência na cobertura de espaços como pela já explicada necessidade de se captar o “toque ideal” para o passe, o lançamento ou mesmo o chute. A IA também foi ampliada nos goleiros, mais espertos nas saídas de bola. Nesse primeiro momento, não foi possível ainda afirmar se as históricas jogadas “manjadas” de PES foram revistas. Particularmente, as principais ações do Barcelona comandado por este que vos escreve saíram pelas pontas – assim como o gol de Messi. Ainda assim, acredita-se que a versão final, com lançamento previsto para 5 de outubro de 2010, poderá ser mais conclusiva sobre essa ótica. E tendo em vistas as melhoras gerais que a Konami conseguiu incluir – e as que ainda não foram disponíveis, como o evoluído modo de edição (que tal montar o estádio e o clima à sua moda, ou fazer um time com um atacante cabeça-de-abóbora?), as perspectivas são positivas.

Em suma: Nesse primeiro momento, ainda é difícil concluir se FIFA ou PES saem como os grandes vencedores. Primeiro, porque, como insistentemente já se comentou, ambos têm um modus operanti diferente, ainda que busquem um mesmo objetivo – conquistar o público fã do futebol virtual. Segundo, pelo fato de poderem ser feitas duas análises: qual o game que é o melhor em seu todo e qual aquele que apresentou as melhoras mais sensíveis de suas edições 2010 para 2011. Pelas versões DEMO, o conjunto da obra de FIFA soa ainda estar um passo à frente, mas não com a mesma intensidade de outrora. Porém, está claro que a Konami deixou várias de suas armas fora da versão-demonstração, inclusive a Libertadores. De qualquer forma, fica claro que com a volta da boa e velha rivalidade da dupla – que parece estar retornando após dois períodos de inércia, tanto de FIFA no fim da era PS2, como de PES no princípio da geração nex-gen, quem sai ganhando são os gamers (por mais clichê que essa frase final possa ser).

Na coluna deste domingo, dia 3, na Trivela – e que será republicada aqui no EC8Bit no dia seguinte -, será feito um apanhado geral das duas DEMOs.





Locução virtual

13 09 2010

Ps.: Postado originalmente em Trivela.com.br

John Motson foi um dos marcos na narração de games de futebol, atuando por aproximadamente 10 anos nas séries FIFA e World Cup, da EA Sports. Foto: Divulgação

Locução virtual
Postado em 5/9/2010 às 12:33 por Lincoln Chaves

Dando uma breve interrompida na série de textos e entrevistas sobre a presença brasileira no Pro Evolution Soccer 2011, a coluna vem retomar nesta semana um dos mais curiosos e marcantes atrativos dos games de futebol. Às vezes, de fato, este atrativo não é dos mais bem desenvolvidos e motiva os jogadores a colocarem a televisão no mudo. Mas quando bem feita – algo que é cada vez mais desenvolvido e aprimorado pelas equipes técnicas responsáveis pela produção dos games -, a narração chega a ser tão memorável – até mais – quanto o jogo propriamente dito.

Claramente foi-se o tempo que considerava-se narração o mero pronunciar de palavras como “Goal Kick”, “Throw In”, ou mesmo o “Goal”. Hoje esse processo evoluiu de tal forma que para vários jogadores já há até um texto específico lido pelo narrador virtual, exaltando alguma de suas qualidades. Claro, não passam de gravações pré-estabelecidas e que não irão muito além do que já falam. Porém, não deixam de, aprimoradas ano a ano, inserir cada vez mais o clima do jogo na experiência de que está com as mãos no joystick.

A inserção de narrações em games de futebol – entendendo narração com uma informação sonora – veio mesmo na década de 90. Até então, as opções de som nos jogos futebolísticos eram mesmo os gritos (?) das torcidas, o contato da bola com o pé do jogador (inicialmente “estático”, ganhando depois contornos reais de um toque) ou o apito do juiz. Em alguns casos, havia até a preferência por uma musiquinha de fundo. O máximo que poderia se ouvir gritar era um “Goal”. Nada além disso. Falamos aqui, porém, ainda de 1992.

As primeiras evidências mais marcantes de narrações surgiram em 1995, no histórico International SuperStar Soccer Deluxe. Além dos gritos de gol, falta e punições (“Yellow Card!”) – que já eram um avanço considerável presenciados na versão anterior do jogo – International SuperStar Soccer -, surgiram os destaques sonoros para chutes de longa distância, lançamentos (“Long shot!”), e o arremate propriamente dito (“He shoots!”). Mesmo as entradas mais violentas ganharam uma pergunta indignada do narrador: “No fault?”.

E aí, vale uma “menção honrosa” àquela que é, pelo menos para os brasileiros, uma das mais recordadas narrações é, inquestionavelmente, a de uma das versões “não-oficiais”, por assim dizer, de ISS Deluxe: o famoso “Campeonato Brasileiro 96”, com as equipes do Brasileirão de 1995 e frases como “Grande jugada!”, “Chutou, que lindo!” e o que até hoje é traduzido como “Viva Senna”. Há quem considere que foi efetivamente a primeira vez que as narrações – talvez por estas serem em um portunhol dos mais estranhos, mas engraçados – ganharam maior atenção por aqui.

Se a evolução motivou a rival da Konami, a Electronic Arts, a se mexer, não é algo comprovado. Mas o fato é que para FIFA 96, primeiro da franquia lançado após ISS Deluxe, já se programou um aprimoramento bastante interessante no que se entendia por narração. Era aquela a primeira participação do famoso narrador inglês John Motson na série onde permaneceria até a edição 2006 do game, estando também nos jogos oficiais da Copa do Mundo lançados pela EA Sports, “estreando” em Mundiais em World Cup 98.

A entrada de John Motson foi um marco importante no que diz respeito à narração nos games de futebol. Primeiro porque estava lá um nome que já era referência no segmento. Segundo, pelo fato de ser um dos principais atos no sentido de aproximar o game do futebol “real” – e nada melhor, portanto, do que um narrador – acompanhado do comentarista Andy Gray – “original” para dar um toque ainda maior de simulação esportiva na brincadeira. Além disso, comentários pós-lances de chute ou mesmo entradas violentas, e a citação dos nomes dos jogadores passaram a ser comuns.

John Kabira, o "mito" da voz no PES. Foto: Divulgação

Mas a Konami não parou no tempo e se os ocidentais vinham com Motson, os japoneses apresentavam ao público mundial o também famoso Jon Kabira, outro proveniente da mídia nipônica, e até hoje é responsável pela narração da versão oriental do game. E a cada jogo, Kabira adicionava novos termos aos seus curiosos gemidos quando o atacante invadia a área rival com facilidade, ou o já tradicional “Shuuto!”, antes dos chutes. Há fãs de Pro Evolution Soccer que até hoje preferem ter os jogos narrados pelo japonês, pela ligação até afetiva com versões antigas.

O sucesso que as narrações ganharam no Brasil aos poucos fizeram com que profissionais daqui começassem a ser convidados para participar dos jogos. Milton Leite, da SporTV, deu o pontapé inicial em FIFA 99 para PC. Aliás, desde então, a série sempre contara com narradores brasileiros (na versão para computador). No FIFA 10, Nivaldo Prieto, da Bandeirantes, fez dupla com Paulo Vinícius Coelho, o PVC, da ESPN Brasil. Mais: na edição 2009, os áudios em português foram conteúdos adicionais gratuitos para PS3 e Xbox 360 via download em suas redes online.

Desde 2010, por sua vez, Pro Evolution Soccer e a Konami já dava sinais de que poderia vir com alguma novidade neste sentido, logo, logo. Na ocasião, o game contou com a primeira narração “oficial” em português (não, as versões de Andre Henning e Galvão Bueno, embora tenham ficado famosas, não eram oficiais), por intermédio do locutor Pedro Sousa e do ex-jogador e comentarista João Vieira Pinto, ambos portugueses (o jogo também é popular por lá). No Brasil, a aceitação encontrou alguma resistência, considerando que a dupla “não passava emoção” à partida.

E justamente no ano que a EA Sports, considerando que o retorno financeiro dos games para computador, principalmente em virtude da pirataria, não valia um novo investimento nesse sentido, PES virá pela primeira vez com narradores brasileiros: Sílvio Luiz e Mauro Beting. Em entrevistas recentes, os dois confirmaram que as gravações foram feitas há quatro meses e terão alguns de seus bordões mais conhecidos. Será que teremos um “pelo amor dos meus filhinhos!” após um incrível gol perdido? Mais uma novidade que, aliada à presença da Libertadores, aumenta ainda mais as expectativas, no Brasil para PES 2011.

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Que tal relembrar um pouco desses históricos narradores?

John Kabira (Konami) – narração “especial” no PES 2009

John Motson (EA Sports) – vídeo “musical” com trechos de narrações do inglês





10 anos de PS2 – Futebol

24 07 2010

Seguindo com a recaptulação e coletânea de colunas publicadas no portal Trivela, sobre games de futebol, o blog relembra agora o texto “comemorativo” aos dez anos do surgimento daquele que é considerado o videogame de maior sucesso de todos os tempos – o Playstation 2. Um console que, especificamente para a classe dos jogos esportivos, foi extremamente importante, possibilitando o aparecimento e a consolidação de títulos expressivos.

No caso do futebol, então, nem se fala. Afinal, foi no PS2 que se acirrou a rivalidade entre FIFA e Pro Evolution Soccer, com o jogo da Konami assumindo grande protagonismo em meio à dificuldade da EA Sports em acertar a mão com seu principal jogo do desporto bretão. E mesmo já “decenário”, ainda é imensamente popular, principalmente no Brasil, especialmente em virtude do difícil acesso do brasileiro a aparelhos de gerações mais recentes.

Em próximos tópicos, esse “aniversário” do PS2 será também relembrado em outras modalidades. O automobilismo será tema do próximo capítulo acerca da histórica do popular console da Sony. Mas antes disso, no final de semana, o blog republicará a coluna de games da Trivela deste domingo (25). Na introdução do próximo post, o “porquê” dessa ideia será mais bem explicado.

Década inesquecível 
Postado em 7/3/2010 às 11:20 por Lincoln Chaves

Qual o maior videogame de todos os tempos? Resposta difícil, até porque, tal como no futebol, envolve muito mais emoção do que efetivamente razão. É normal, portanto, dizer-se que cada console teve seu tempo, e é complicado dizer qual foi mais inovador, em suas devidas proporções.

Porém, na hora de recorrer aos números — o que também pode ser subjetivo, já que, na medida em que os games evoluem, seu público fatalmente aumenta — e até ao se analisar um pouco de seu histórico, é possível deduzir que o “Most Valuable Video Game Ever” é o Playstation 2, que comemora em 2010 seu “decenário”.

“Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o futebol nos games?”. Tudo. Afinal, é no PS2 que a franquia mais popular no Brasil do desporto bretão nos jogos eletrônicos, Pro Evolution Soccer, explodiu de vez. É no PS2 que a então grande marca dos games futebolísticos, FIFA, deixou fragilidades evidenciadas, e viu que, para a próxima geração, teria que melhorar muito.

Pode-se concluir que no Playstation 2, o futebol virtual ganhou uma verdadeira “Guerra Fria” no cenário dos jogos do gênero, com o gosto bipolarizado em FIFA e PES, com este último em alta e angariando cada vez mais fãs, a ponto de fazer o primeiro tentar “copiar” o game da Konami — e não ter muito sucesso. O que, como se vê, parece ter sido aprendido pela EA Sports.

Se na era anterior, ainda havia incertezas se eram os japoneses que voltariam a brigar com FIFA pelo topo, a “década PS2” não só encerrou as dúvidas como discutiu se o jogo da EA Sports, por sua vez, seria capaz de resgatar sua tradição e rebater o ataque konamista. Por sua vez, foi também uma espécie de “fim” para qualquer outra investida no gênero futebol nos games, visto o fracasso de todas as outras produções.

Printscreen de FIFA 2005, para PS2

No mercado

O Playstation 2 chegou aos mercados japoneses em 4 de março de 2000, quando o Dreamcast parecia começar a engrenar. No entanto, o aparelho da Sega teve uma receptividade tão lenta, e a Nintendo “enrolou” tanto com o GameCube (que passou tempos sendo chamado de Dolphin), que a expectativa pelo novo console da Sony ficou imensa.

Grande sucesso no fim da década de 90, o Playstation 1 já havia provocado o surgimento de muitas franquias de sucesso, como Metal Gear Solid, Rayman, Final Fantasy, além, claro, de Pro Evolution Soccer. Bastou levar os títulos para novas versões, muito mais bonitas e com mais desafios, para que a procura pelo aparelho estourasse ao redor do mundo.

Além de expandir séries conhecidas — já se falará do boom de PES no console —, o PS2 criou novos blockbusters, como Devil May Cry, Kingdom Hearts e God of War. Foi também no aparelho que o idolatrado Guitar Hero surgiu e fez acachapante sucesso. Mas o maior destaque foi mesmo Grand Theft Auto (GTA) San Andreas, que ultrapassou as 17 milhões de cópias vendidas.

O PS2 é o videogame mais vendido de todos os tempos, com mais de 140 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, e aproximadamente 1.600 jogos lançados. Curiosamente, mesmo uma geração atrás, quem tem o console ainda verá títulos novos neste ano. Tudo porque o aparelho, antes altamente caro, tornou-se “popular”, e o incrível: os softwares ainda vendem!

Muito disso se dá em virtude do grande custo — e não se fala somente em nível de Brasil — com o qual os videogames next-gen foram lançados. Além disso, a crise mundial pode ter influenciado relativamente pouco na indústria de games, mas influiu em vendas abaixo do esperado. Tanto que Microsoft, Sony e Nintendo acabaram reduzindo os custos de seus consoles. E quem já tinha um PS2, não necessariamente embarcou em uma nova aquisição: conteve-se e seguiu dando boas vendagens aos jogos do aparelho.

Na bola

A rivalidade entre Konami e EA Sports, no PS1, já estava com o pêndulo do mercado se aproximando dos japoneses. Apesar das licenças e da maior variedade de opções, FIFA apresentava, no aparelho, gráficos fracos e uma jogabilidade difícil, enquanto o antecessor de PES, International SuperStar Soccer Pro Evolution, o tradicional Winning Eleven, já se destacava nos pontos fracos do rival.

A Konami dominou o mercado de games futebolísticos com PES na era PS2

A era PS2 foi a que levou o jogo da Konami a seu maior momento. Mesmo com nenhuma das equipes sendo licenciada na primeira versão de PES para o console, a beleza visual, a sonoridade e uma jogabilidade mais sensível, porém fácil e mais próxima da perfeição na simulação de um game futebolístico na época, arrebataram o público.

Ano após ano, a franquia aprimorou-se graficamente e em sua base de dados, adquirindo licenças inéditas, aprimorando o que foi uma de suas maiores criações (Master League) e alcançando tal patamar que outros consoles, além dos PCs, também ganharam versões do game, “revelado” no PS2. E quando pessoas da própria EA admitem que o jogo dominou a geração passada no futebol, não há muita dúvida da força que o game da Konami ganhou no aparelho da Sony.

FIFA, por sua vez, teve avanços pouco destacáveis, e embora mantivesse seu público mais cativo, principalmente no Reino Unido, viu, especialmente quando PES começou a obter licenças, o avanço forte do jogo japonês no continente onde dominavam. Tentou-se copiar muitos detalhes do game que marcou o PS2, como a barra de força do chute e mesmo a disposição dos botões. Mas a emenda saiu pior que o soneto, e a mecânica, principal problema, seguia ruim.

Enquanto PES e FIFA brigavam pelo posto de melhor game futebolístico, outros jogos até chegaram a surgir, mas a rivalidade iniciada na era PS1 era tão grande que monopolizou as atenções. Poucos se lembram, por exemplo, que a série This Is Football, que surgiu na primeira geração da Sony, ganhou jogos até 2005. Mas as vendas não colaboraram, nem a mídia, e nem os jogadores, que se apegavam a seus “favoritos” com forte apreço, ignorando qualquer eventual teste.

Esse também acabou sendo um reflexo no cenário do futebol virtual presenciado no Playstation 2. Se no passado, até pela menor exigência de programação, havia diversos tipos e modos de games do desporto bretão, a era PS2, com obrigações claras com jogabilidade e beleza visual, limitou eventuais “aventureiros”, deixando as opções restritas a apenas dois: FIFA ou PES.

Não dá para desatrelar a história do Playstation 2 dos games de futebol. É nele que surgiu o maior rival do antes imbatível FIFA. É ele que se notabilizaria como o “videogame do povão”, e que, especialmente para nós, brasileiros, acabaria aproximando (ainda que com a pirataria, deve-se confessar) o game propriamente dito de muita gente, seja em lan houses, seja em casas de amigos.

A era PS2 está chegando ao fim, e, no caso do futebol, chegará pouco antes da Copa, com 2010 FIFA World Cup, dito como o último game do gênero a ser lançado para o console. (Obs.: Até a publicação deste artigo, o game da Copa fora anunciado para PS2, mas a EA acabou não desenvolvendo a versão para o console) Para fãs e saudosistas, um jogo que tem tudo para se tornar uma verdadeira relíquia, uma lembrança final do que é, ao menos nos números, o maior videogame de todos os tempos.





PES 2011 x FIFA 11 – Direto da E3

24 06 2010

Só para aguçar o interesse dos internautas, confiram abaixo os vídeos apresentados na E3 dos dois principais jogos de futebol que serão lançados nesse ano: Pro Evolution Soccer 2011 e FIFA 11. E dessa vez, vale uma atenção especial ao game da Konami. Enfim, os fãs sul-americanos foram lembrados, e a Copa Libertadores da América foi oficializada no jogo. É a primeira vez que a principal competição da América do Sul será licenciada dessa forma em um console (Adidas Power Soccer 2 contou com uma espécie de Libertadores, mas muito mal produzida, diga-se de passagem, além de não-oficial). No próximo post, aliás, a inclusão da Libertadores em PES 2011 será tema de uma reflexão.

PRO EVOLUTION SOCCER 2011

FIFA 11